Um artista anônimo

Wednesday, October 19, 2011

Carta à mãe.

Oi Mãe!
Você não quer saber mais de mim, não me manda nem um Voxcard, ra~eoiraeoioerioari. Pois saiba que mesmo sem Voxcards, eu insisto na nossa amizade.
To com saudades de você, e de vez em quando eu lembro que tenho uma irmã (só pra ela parar de chorar pelos cantos).
Ontem eu tomei uma decisão muito complicada, apesar de óbvia. Pela primeira vez eu desisti de alguma meta imposta. Lembro de quando eu tentei desistir de História com Pablo, e não consegui, e vi que foi a melhor decisão. Pensei bem e vi que não era esse o caso, agora.
Desisti da competição que acontece nesse sábado, aquela à qual me dispus a me preparar há algum tempo.
Fiz um milagre preparando o repertório mais difícil que existe para violino - e que me acompanhará por toda a vida - em pouco mais de um mês. Sei que levaria no mínimo anos para fazê-lo, mas consegui, o montei, com muita disciplina, estudo, esforço, dedicação e foco. Sinto-me orgulhoso, me abstive de tudo que pudesse me afetar ou afetar o meu rendimento.
Mas nos últimos dias, além de toda a pressão psicológica de tempo escorrendo pelas minhas mãos, fui abatido por um cansaço descomunal, cansaço mental, cheguei no meu limite.
Lembrei-me de que desde que me formei não tirei férias, ingressei em ritmo de trabalho intenso, físico e intelectual, estive nas experiências mais diferentes da minha vida, as quais tive que me adaptar em velocidades desumanas, tomar decisões a cada instante, decisões difíceis, as quais eu preferi chamá-las de decisões decisivas, RÔÔÔ.
Sem dúvida, o maior desgaste que tive foi de natureza emocional. Brasília é uma cidade má, de pessoas más, de valores maus (quando existentes), descobri onde Laodicéia se situa geograficamente. Nem fria, nem quente, morna, e amarga, muito amarga.
Tem sido a experiência mais valiosa e de bom proveito que já tive, mas tenho pensado se é isso mesmo que quero pra mim. Obviamente que o que vai pesar nessa decisão será meu futuro financeiro. As coisas parecem ter engatado em Brasília, recibe algumas pequenas partes referentes aos trabalhos do primeiro semestre, que já foram suficientes (junto com os outros extras) para recuperar as minhas reservas com as quais vim que me permitiram passar um semestre, e ainda garantir pelo menos mais um ano de estadia. Dinheiro está longe de ser minha preocupação, se ganho o suficiente para um ano e meio em meu primeiro semestre na cidade mais feroz que já conheci (sem dúvida), com meu talento extraordinário para o acúmulo, o qual você conhece tão bem, unido ao mantra que aprendi pelo responsável pelo meu cromossomo Y - "Dinheiro que vai não volta mais" - é só uma questão de tempo para subir ao topo dessa piramide social demente. Não preciso dizer que não tenho o menor desejo de alcançar isso. Com isso, não me restringirei às possibilidades daqui. Penso que Brasília não faz bem para minha personalidade, se eu já me sentia um extraterrestre em Salvador, aqui eu evolui nessa arte. Não me incomodo em não ser aceito, você sabe disso, nunca em incomodou não passar pelo julgamento deficiente de terceiros, me incomoda não conseguir aceitar os outros, eu não posso ser assim, isso não faz bem para o meu interior. E quem julgar será julgado, e isso me incomoda, não quero me tornar o que você mais me criou para que eu não fosse. Tive uma educação de nobre, de nobre cidadão irrepreensível, e na irrepreensibilidade não há espaço para julgamentos e hipocrisia. Se eu não conseguir vencer isso, e logo, Brasília não é e não será o meu lugar.
Tenho pensado em tudo isso, mas coloquei nas mãos de Deus. Ele guiará os resultados, e quanto a localização eu já nem me preocupo. Os resultados que mais me alegram são os do meu estudo, voltando ao assunto da competição, nunca pensei que seria capaz de estruturar um repertório tão complexo.
Eu poderia ter desistido quando me vi diante do ato da inscrição, completamente comprimido pelo tempo, sabendo que só um milagre me faria conseguir competir. Mas não desisti, fui até o último dia, e faltando apenas 2 dias para viagem (tempo limite de reembolso), eu pensei melhor, e me vi numa situação complicada.
Consegui a minha meta, preparar o repertório mais difícil que existe para violino em tão pouco tempo, mas não consegui a minha outra meta, aquela com que nasci e que nas poucas vezes que a deixei de lado, foram situações amargas que me tiraram a alegria por dias ou semanas. Não cumpri com o meu nível de excelência, com a minha exigência nata, paixão pela música sincera, boa e verdadeira. Repleta das coisas que amo. Não se faz música estressado, com medo, inseguro, preocupado e de última hora. Poderia ir competir, POSSO ir competir, mas não, é uma questão de princípios, é profanação de uma missão sagrada, dada a Deus por mim, fazer música como poucos fizeram. Sou apaixonado por isso, nasci para isso, e não vou me deixar me levar por baixos níveis de terceiros para me sentir apto a competir. Das vezes em que caí nesse erro, foi desastroso.
A verdade é que percebi que tudo que tinha de bom para ganhar nessa competição eu já ganhei, a saber: As horas de estudo, a disciplina, a coragem, a fé (acreditei até o último instante), e acima de tudo, a elevação do nível de exigência, só ganhei e se perdi algo foi o apetite, o sono, a cor do corpo (pouco saí de casa), e o que mais me dói, como você me conhece, a oportunidade de estar ganhando dinheiro (abrindo mal do trabalho), mas cá entre nós, isso se chama de investimento, sei que essa experiência me trará milhares de reais, dólares, euros, ienes, libras esterlinas, francos e todas as moedas que serão necessárias para pagar o meu talento e o meu diferencial, uma música feita por um coração que se recheou do que existe de melhor.
Ir em frente na competição seria invalidar tudo isso, e aprendi que parar, que adiar essa vitória eminente, foi uma atitude madura, maturidade tal que nunca tive. Maturidade necessária para parar de errar e alcançar a vitória, de uma vez por todas. Conquistar as coisas como sempre conquistei, com sangue nos olhos, com raça, passando por cima, caindo e levantando, é gostoso, mas não se compara com superar obstáculos pelo bem preparo, não só por força psicológica, mas por eles se encaixarem exatamente onde deveriam estar no espaço cronológico das mais bem planejadas metas, nunca dei tempo ao tempo, cresci muito por isso, mas chegou a hora de ser profissional, de ser sério e de ser respeitoso comigo mesmo, com meus limites, e com o público.
Acredito agora, mais do que nunca no poder do dia, e agora aprendi o poder das longas metas.
Poderia ganhar a competição com um mês e meio de preparo? Poderia sim, com certeza, escolhendo um repertório já estudado e seguindo a receita mais famosa do competidor bem sucedido, indo bem preparado. Quem ganha o concurso não é o melhor violinista, mas o mais bem preparado. Lembrei-me de minha meta, me preparar para o futuro, do contrário nunca teria escolhido um repertório como este, não se eu não estivesse na eminência de tocá-lo magistralmente bem ao primeiro semestre de 2012 (devido ao último mês, meta mais que palpável, e sendo minha obrigação ser excepcional nessa execução, independente de nervosismo, conturbado passado de formação técnica, instrumento ruim, nada disso pode me parar. A vitória não é só eminente, como é óbvia.
Diante de tudo isso, considerar minha vitória, desistência e derrota, é loucura, não só loucura, como imbecilidade mental.
Estou feliz com minha decisão, sinto que foi a melhor possível, e no momento certo, nem antes, nem depois, aproveitei o máximo dessa experiência, e minha única vontade é acordar amanhã e continuar progredindo neste repertório para as próximas experiências e antecipar o que é mais que certo, antecipar meu debut verdadeiramente musical, fazer música como sempre imaginei e sonhei, música com muita música.
Queria ainda agradecer por poder dizer hoje que sou livre, graças a você e meu pai, que me ensinaram a pensar por conta própria, a sofrer as consequências das minhas decisões, a antecipar as consequências, a refletir muito no que eu quero e o que fazer para conquistar.
Desculpa a mensagem gigantesca.
Te amo muito, mãe, obrigado por tudo.

Thursday, April 07, 2011

Estranho… Ou sou eu?

Se tem um assunto que não me lembro de ter escrito por vontade própria foi política internacional. Apesar de eu gostar bastante, minhas idéias nunca foram muito bem aceitas, principalmente por serem meio fora do comum, típicas de quem não vê muito jornal e só ouve falar das coisas e constrói sua própria idéia. Pode soar um pouco conspiracionista, mas isso acabou me dando uma idéia de mundo realmente diferente do que se costuma ouvir em frente a tv.

Gostaria de falar do que ocorreu hoje. Acho que todos já sabem do que ocorreu nesta manhã em Realengo, Rio de Janeiro, quando um atirador invadiu uma escola se disfarçando de palestrante e assassinou 13 pessoas, contando com ele mesmo, ao menos até agora, havendo mais vítimas em estado grave. Até aí todo mundo leu ou viu no jornal.

Ao ver isso, eu só pensei numa coisa: “E dizem que o terrorismo é árabe… Isso é terrorismo”. Confesso que calei-me quando ouvi que provavelmente o assassino tivesse ligações com o Islamismo fundamentalista. Mas algo ficava na minha cabeça… “SERÁ?”

Então fui ver as manchetes e me deparei com esta.

muçulmano

Inconformado, continuei minha pesquisa, aquilo não fazia sentido para mim. E fui encontrando idéias próximas da primeira:

Rede Dia - Bahia - Realengo Coronel atribui ataque a fundamentalista - Google Chrome

Rio atirador em escola deixou carta 'fundamentalista', diz PM - Google Chrome

Mas acessando outras matérias, comecei a ver que aos poucos que a imprensa ia enfraquecendo esta idéia, nas matérias seguintes…

Até que me deparei com isso…

acessava sites

Confesso que foi revoltante ver como a imprensa consegue torcer as coisas ao modo como ela quer… Ele já não era mais muçulmano, ele ACESSAVA sites islâmicos na internet.

Até então eu ainda estava em dúvida, até ver a carta:

carta

Tá. Agora vamos analisar a situação.

Alguém entra numa escola que já havia estudado no passado e assassina crianças inocentes friamente e então se mata. Na carta ele descreve que quer ser enterrado segundo o ritual islâmico. A mesma carta que diz que ele aguarda a volta de Cristo. Isso é importante, não que os muçulmanos não acreditem que Jesus voltará, mas sem dúvida, o evento mais esperado para os muçulmanos é o “aparecimento de Imam Mahdi”, o que esclarece que as idéias contidas na carta não eram de todo islâmicas, se tratando de alguém que muito provavelmente não tenha tanta proximidade com a religião.

Ao fim da chacina, é descoberto que o atirador é portador do HIV.

Agora, por que estou escrevendo isso? O que quero é deixar bem claro que isso significa muito mais do que imaginamos.

Barack Obama visita o Brasil pela primeira vez. Passado menos de um mês, a revista Veja solta uma matéria falando sobre o terrorismo, e quando eu achava que iria falar sobre as organizações criminosas, traficantes, PCC, Comando Vermelho… Não, ela fala sobre muçulmanos no Brasil com ligações estreitas com os países árabes... Na mesma semana, acontece um atentado fruto da insanidade individual de alguém (o que convenhamos não ser tão raro no nosso país), e então isso é tido como uma ação fundamentalista.

Por sua vez, outros sites publicam matérias como: “Muçulmano invade escola.” e “Atentado fundamentalista”.

Não quero ser conspiracionista, mas tudo isso me parece uma forma de usar tragédias na intensão de defender um posicionamento político. Qual o interesse em taxar alguém emocionalmente perturbado de muçulmano fundamentalista? O que isso significa para os eventos futuros no Brasil?

Semana que vem a Veja deve reforçar sua idéia usando este caso. Confesso que nessa transição de governo, tive medo de haver um rompimento com os Estados Unidos e um abraço à Venezuela e Bolívia, mas o que vejo é o início de uma lavagem cerebral conduzida pelos princípios imperialistas. O que me incomoda é que está sendo feito exatamente o que foi feito nos Estados Unidos: A criação de uma sensação de terror eminente invisível.

O terror existe, mas os seus principais expoentes nitidamente não são lunáticos que acessam sites islâmicos, estes talvez sejam a conseqüência do terror já corriqueiro no Brasil.

Os atentados fundamentalistas em quase sua totalidade têm intenção de atacar órgãos públicos e que desmantelem a economia (norte americana), principalmente no tocante ao petróleo. Tal fundamentalismo está totalmente conectado não com um ideal religioso, mas sim econômico, vindos das ditaduras árabes, países estes que têm sido afligidos com ataques desproporcionais pelos Estados Unidos em busca de petróleo. Os ataques fundamentalistas vêm como uma forma de enfraquecimento de um inimigo, conseguindo voluntários pela via da fé cega de alguns fiéis.

Ser terrorista não tem nada a ver com ser muçulmano. É fato que o fundamentalismo árabe é um exponencial quanto ao terror organizado, mas a fé só foi a fachada e o modo pelo qual se lavou a mente de seus guerrilheiros. Já em outras organizações não-árabes, se usa drogas, poder, mas principalmente, dinheiro (que é talvez a religião mais forte no atual mundo ocidental).

Isso deve ser explicado. Os muçulmanos condenam o assassinato de inocentes, a única causa para os ataques é a percepção do cidadão americano como inimigo, ou como uma morte necessária para que ocorra um bem maior (destruição de navios petroleiros, bem como a de setores de concentrada administração financeira nacional). Devo ressaltar que não concordo com estas idéias, mas que as mesmas devem ser levadas em conta antes de fazermos um julgamento injusto, preconceituoso com uma fé ou nação.

Não há ninguém certo nesta briga, mas devemos entender que até então, o Brasil não entrou nela, não diretamente. Poderíamos encarar esse atentado como fruto de um fundamentalista islâmico, se o mesmo destruísse alguma sede da Petrobrás, ou melhor, o prédio do congresso nacional (o que pouca gente ia sentir falta).

Escrevo na eminência de alertar em caso de alguma mudança forçada no panorama nacional, criando uma sensação xenofóbica aos árabes, até agora injustificável em nosso país.

Tal situação seria justificável apenas pelo oportunismo, o que delinea claramente quais serão as novas políticas brasileiras. Espero não cairmos na alienação e ufanismo americano, junto ao ódio ao oriente. Devendo lembrar também como o 11 de setembro foi utilizado na época para iniciar a incitação do sentimento de terror que levou à invasão massiva ao Iraque (que já sofria ataques esporádicos pelos Estados Unidos desde o governo Clinton), que até hoje não há explicação oficial sobre o que levaria à destruição de Bagdá e ocupação americana nesta, além da busca de armas de destruição em massa, ainda não encontradas nestes mais de 8 anos de ocupação e destruição massiva do território Iraquiano.

Gostaria de ressaltar mais uma vez o quão frustrante seria perceber que meu país se utilizou de uma oportunidade como essa para se posicionar ao favor dos Estados Unidos nessa tal guerra contra o terror, além de imoral, se torna extremamente desrespeitoso para com as vítimas dessa tragédia. Trata-se o cúmulo do desrespeito ao próximo, criar uma causa que não a real para sua morte, a saber, a falta de uma estrutura social que saiba lidar, amenize ou direcione o desejo inconseqüente de um lunático com traumas escolares. O sistema está enlouquecendo os seus integrantes.

Pior do que isso será ver o governo tomando atitudes altamente dispendiosas contra o terror árabe, quando a nossa guerra civil do crime organizado já se tornou comum. Quero saber quantas menções ao fundamentalismo vou ouvir nesta semana em comparação às menções à pratica do costumeiro crime organizado brasileiro, e qual será mais freqüente de fato.

Encerro este artigo com a carta da Federação das Associações Muçulmanas sobre o trágico ocorrido, em link abaixo.

http://www.estimulanet.com/2011/04/nota-da-comunidade-islamica-sobre-o.html

PS.: O texto acima será revisado e totalmente sujeito à alteração.

PS2.: Não tenho, nem nunca tive qualquer envolvimento com a religião muçulmana, mas isso não me impede de ser totalmente à favor da liberdade religiosa e do não julgamento de indivíduos baseado em sua religião.

Thursday, September 09, 2010

Genoi hoios essi.

Nos últimos tempos, tenho investido parte do meu dia em tentar compreender algumas situações particulares, situações que passei a considerar que não seria comum às pessoas, visto que nunca vi alguém que pudesse me compreender de fato dentro destas questões, e quando me refiro a me compreender, estou falando de alguém que tenha chegado à mesma conclusão a que cheguei.

Posso dizer que fechei um ciclo da minha vidinha insignificante ao alcançar tais conclusões. Conclusões não concludentes, mas que abre uma gama de horizontes infinitos, aos quais cabe a mim, somente escolher a qual seguir.

Posso dizer que finalmente pude entender, a talvez mais famosa frase de Píndaro. Uma frase que sempre gostei.

"Genoi' hoios essi mathon."

Transcrita por Nietzsche e utilizada como subtítulo de Ecce Homo em tal forma: "Genoi hoios essi " (Torna-te o que tu és).

Posso dizer que a raiz de meus conflitos mais ingênuos (e por conseqüência, os maiores) estavam explanados em tal afirmação. Tornar-me o que sou. Por muito tempo tentei entender o que isso significa. E qual seria a importância disso, e por que já não sou o que sou, ou o que deveria ser?

Entendi que cada um nasce com necessidades diferentes. Com desejos diferentes, e que mesmo com essa banalização da individualidade, com esse bombardeamento massivo de uma opinião, de um estilo, de uma moda, de um "gosto", de um modo de vida... Mesmo com tudo isso, cada um tem a sua necessidade básica de suprir a sua individualidade, seja ela qual for. Mas o que tenho visto é o oposto, pessoas tentando suprir seu vazio particular com o que é lançado a ela, a saber, consumo e sexualidade obsessiva (sendo este último, nada mais que outra forma de consumo).

De alguma forma, não sei se por não ter aderido ao que me foi imposto, não tendo pelo qual ser entorpecido, um vazio estranho me perseguiu. Mais estranho que o próprio vazio, foi o fato de me permitir conviver com ele por anos.

Então de alguma forma, brechas luminosas de consciência vinham caindo sobre mim nos últimos tempos, sendo somente compreendida de forma prática, ontem.

Me vi órfão, sem ser o que sou, até tendo esquecido de fato o que sou e o que queria ser. Sem aproveitar dos entorpecentes do mundo, não consumindo ou me auto-consumindo, em larga escala para calar os meus profundos desejos de ser o que deveria ser.

Conclui que inconscientemente estive sempre diante ao seguinte impasse: Curar o ferimento ou anestesiar a dor?

Algo simples de decidir, não? Tão simples que não pensamos o bastante e decidimos errado.

Por muito tempo decidi errado, tentei anestesiar a dor com coisas que nunca me completaram. Ora, se algo foi feito para que milhões ou bilhões de pessoas gostassem, posso concluir que não foi feita para mim. Sim, sou especial, e não é esse especial que todo mundo é... Sou especialmente especial.

Essa é a única explicação para como cheguei a tal situação, e negar isso me fará continuar errando por toda a vida.

Tentei jogar o jogo como todo mundo joga. Tentei, juro. Mas nem ao menos cheguei perto de conseguir. Existia uma barreira que nunca me habilitou permitir a viver levianamente, por mais que eu tentasse e insistisse... E insisti.

Ia contra à minha natureza, logo percebi que nesse jogo da vida que todo mundo joga, eu sou café-com-leite.

Se a vida leviana torna a sobrevivência suportável para todos, por que não poderia fazer o mesmo por mim?

Descobrir que não sou "todo mundo" foi imprescindível.

Agora entendo porque fazia mais sentido ficar em casa ouvindo minhas músicas, lendo, comparando gravações, pesquisando, descobrindo, aprendendo, refletindo, desenvolvendo, do que sair pra curtição, mesmo quando estava afim de uma curtição.

Agora sei o que responder quando me perguntarem como eu consigo viver desta forma... É simples: Eu sou assim. Nem melhor nem pior que ninguém, mas diferente.

Percebo que cheguei a essas conclusões devido às minhas condições inatas que me fazem ser o que sou. Minha percepção aguçada, capacidade de conexão entre as idéias, facilidade de aprendizagem, tendência à profunda reflexão, prazer no auto-cultivo, aversão ao efêmero. Mas não só por essas qualidades (ou maldições a quem divide tal experiência comigo, só nós sabemos como isso pode ser ruim)... O que sobra de um lado, falta do outro.

Ao tentar viver a vida como pessoa normal, tendo amigos normais, e fazendo coisas normais, percebi que sou extremamente ruim nisso, me faltava muitas coisas simples, como saber conversar coisas normais, bom senso (quem me conhece, concorda), fazer coisas da forma como todo mundo faz, fazendo do "porque todo mundo faz" um motivo suficiente para a reprodução. Me falta a capacidade de ser razoável, de ser equilibrado no modo de pensar. Tal intolerância e extremismo, me faziam ser incapaz de suportar uma vida mais ou menos, ter amizades mais ou menos, devido ao fato de que sempre me foi difícil de agüentar uma conversa mais ou menos. Esse último ponto sim, esse atrapalhou muito minha vida. Eu queria ser capaz de agradar pessoas normais. E nunca consegui, me sentia a pessoa mais incompetente do mundo. Eram pessoas que se agradavam com tudo, com qualquer coisa... Mas eu não agradava. Então de tanto tentar, percebi que até poderia agradar se eu ligasse alguns botões de repetição do que vejo, que era uma faculdade habilidade que poderia ser desenvolvida, até que percebi duas coisas:

1. Elas não me agradavam.

2. Eu não me agradava quando agia de tal modo.

Sim, aí está o motivo porque o anestésico nunca funcionou em mim. Me incomodava muito ser daquele jeito, me apavorava o pensamento de que eu talvez passasse a ser assim, raso, de que isso se incorporasse ao que sou. Eu era alérgico a esse tipo de conduta... Tal anestésico tinha reações adversas em mim. Nunca pude sentir seu real efeito.

Agora eu já havia percebido que isso eu não poderia ser. Que nunca agradaria os outros sendo o que sou; que quando os agradava, eles não me agradavam; e que não me agradaria sendo o que os agradava, uma vez que não seria eu.

Era hora de investir em outra coisa... Ser eu mesmo. Mas o que eu era/sou?

Antes de tentar responder isso, tenho que lembrar de Píndaro: "Genoi' hoios essi mathon."

Mas por que Nietzsche transcreveu esta frase e utilizou como subtítulo de sua auto biografia omitindo a palavra "mathon"?

A verdade é que a palavra mathon dá um pressuposto de conhecimento: "Conhece-te e torna-te o que tu és."

Sendo o tornar-se, conseqüência do conhecer-se.

Acho que agora entendo porque Nietzsche omitiu, entendo por diagnosticar isso em mim. Eu não sabia o que era, e talvez ainda esteja aprendendo. Mas a partir do momento que tentei tornar-me o que sou, passei a me conhecer melhor.

Nietzsche não entra em explanação sobre qual seria o motivo de ter omitido tal palavra, mas posso dizer uma coisa, eu teria feito o mesmo.

Ora o que sou? Sou alguém que não consegue estar satisfeito sem preencher às próprias necessidades. Bem, isso todo mundo é, acredito. Então "o que sou" passa a ser o conjunto de necessidades que tenho, e essas sim se diferem? Se estiver certo, agora posso argumentar de forma que ninguém poderá negar que sou especial, especialmente especial... Sim, me incluo nas necessidades especiais de qualquer lugar. Nunca vou sobreviver com o tratamento geral.

Para que eu nunca me esqueça, estas são:

1. Intimidade forte, profunda, prática, real e constante com Deus. Sem isso todo o resto não faz sentido. Meu alimento diário.

2. Respirar música... Posso encontrar uma fonte alternativa de oxigênio, mas nenhuma seria tão interessante como a arte, a saber, a melhor delas, a música, a única que todo mundo gosta, seja lá qual for o seu tipo. Estou para encontrar alguém que odeie música, em pensar que se eu não tivesse encontrado a música certa, essa pessoa seria eu... Só existe um tipo de música que me interessa mais do que o silêncio... A música sincera, feita de coração, não para agradar a todos, nem para tocar sem parar durante 3 semanas em todo lugar e nunca mais ser ouvida, mas para tornar a minha sobrevivência uma experiência mais interessante... Pra me fazer esquecer de dormir, de comer, de sair de casa, pois nada disso se torna interessante o bastante quando me encontro com ela. É quando tudo se encaixa.

3. Pesquisar, descobrir, explorar, aprender, refletir. Me cultivar, me desenvolver: Intelectualmente, emocionalmente, espiritualmente, fisicamente. Sem isso, a vida se torna repetitiva, quase tediosa.

4. Estar com as companhias certas. Sim. Aquelas pessoas que agrado sem querer agradar. Que me agradam sem quererem me agradar. Que existe um magnetismo, uma força de atração, independente de interesse, independente de um motivo para estar juntos. Pessoas que me levam a buscar todos os outros pontos acima, pessoas que me ajudaram a concluir tudo que foi escrito neste texto. Resumindo, quem insistiu em ler esse texto até o final. Sim, estes são (ou poderiam ser serão...) meus grandes amigos pra vida toda. Sim... Ninguém suporta ler um texto como esse, se não houver afinidade, de fato.

5. E por último, mas não menos importante: Leite condensado. Uma das maravilhas da ciência moderna. 10 colheres de sopa de açúcar, um copo grande de leite em pó, meio copo de água fervendo e uma colher de margarina sem sal. Bata tudo no liquidificador, leve à geladeira por mais ou menos quatro horas e se prepare psicologicamente para a experiência gastronômica mais inspiradora conhecida pelo homem.

Oh, leite condensado, como eu te amo. s2

Finalizando, agora que serei eu mesmo, e não mais lapsos de Felipe envoltos a uma personalidade misteriosa até para mim, devo passar a escrever mais (ou não, a preguiça é minha mesma). Cansei de ser eu mesmo uma vez por ano.

Wednesday, September 30, 2009

O pior aniversário da minha vida...



27/09/2009

"Acorda! Acorda!!! Você tá atrasado!"

Atrasado? Eram 6:30h de domingo!!! E ainda era meu aniversário! Opa, meu aniversário? É... Tinha marcado uma ida ao parque de diversões que estava/está na cidade. Então lá vamos nós, eu, minha irmã e Emerson para o ponto de ônibus. Chegando ao ponto de ônibus, após alguns minutos o meu pára-raio de maluco é fortemente acionado, juntamente com o meu sensor de insanidade. Senti o cheiro da loucura, tão familiar.

Chega uma senhora, boa aparência e me pergunta:
- "Quantos anos você tem?????"
E eu:
- Como assim? O que você quer saber?
- Você tem 25 anos???
- Não, senhora.
- Ahhhh - e saiu.

Por muito pouco não aponto pra Emerson e grito: Mas ele aqui tem!!!
raõreiaeriaieroaireoiaeroiaeroaieroi

Então aconteceu de chegarmos lá, encontrei Ju, e tudo foi muito divertido.
Principalmente o trem do horror... Lembrando que era 9h da manhã. E o sol estava castigando-me por esses 20 anos de existência. Então dava para ver tudo lá dentro, eu gritava sem parar: SOCORRO! MEU DEUS! EU NÃO QUERO MORRER!!!! rãoeraoeiraireãirẽoiaoriaoreioai

Eu tava bem empolgado: Dava pra ver realmente tudo, não tinha nada de assustador, era tão claro quato o meu quarto pela manhã com o "blacaute" na janela... Eu berrava o tempo inteiro! Eu berrava tanto, mas tanto que a voz tava falhando já... E no fim, na chegada, eu com a cara como quem estava em estado de choque, e a fila já tinha ganhado vários adeptos com tantos gritos... E eu chegando: EU NUNCA MAIS VOU NESSE NEGÓCIO! SOCORRO! SOCORRO!!!!

raerãoreareioaieroaieroiarioeoria

Rapaz, só sei que teve gente que foi duas vezes pra ver se encontrava o que eu encontrei lá dentro, raẽroareairoeiaoeriaieroaier... E foi assim o tempo todo, mas estava só começando...
A montanha-russa é horrível, não dá pra entender nada, e de repente eu já estava no looping, sendo jogado pra lá e pra cá... Não dava nem pra sentir medo de tão rápido. Nem um pingo de emoção, só um enjoozinho. Totalmente sem graça. O Ranger praticamente jogou meu cérebro pra fora, e não sei por que... Alguma coisa aconteceu dentro da minha cabeça que eu senti meu cérebro saindo pelo nariz. No carrinho de bate-bate eu tava mais de manobrista, dando voltas desviando de todo mundo de ré, com a típica mãozinha no acento do lado, olhando para trás, manobrando calmamente... rãeoriarieaireoiareoarei

Então resolvemos ir na montanha russa mais uma vez, eu tava indo mais pra ver se eu achava alguma graça, quando fico sabendo que a mesma tinha acabado de quebrar... Ainda bem que eu não estava lá dentro quando isso aconteceu, pensei... E então vamos para a roda gigante... Entramos, e começa a dar a primeira volta, e na segunda... Como explicar? Digamos que lá em cima, ela parou, e digamos que ela não voltou a andar... E como eu imaginava, o parque estava caindo aos pedaços... E ficamos longos e longos minutos lá em cima sem poder fazer nada, a ver o rapaz batendo no controle da máquina e falando: Vamos esperar...

E eu gritando: Reseta!!! SEMPRE FUNCIONA COM MEU COMPUTADOR!!!! (nessas horas você tem que ter bom humor...)

E após algum certo tempo, eu virei pra ju e falei: Em caverna do dragão, é assim que eles morrem, só que tipo, no looping de uma montanha russa. E ficamos lá... De vez em quando eu dava uns berros: SOCOOOOOOOOOORRO! ALGUÉM ME TIRE DAQUI!!! EU VOU ME JOGAR!!!!! O pior é que misteriosamente a roda gigante ia descendo pouco a pouco, coisa bem pouca mesmo, quase imperceptível... e ficávamos cada vez mais próximo, mas não podíamos sair, já que o negócio podia voltar a funcionar a qualquer instante comigo preso nas estruturas dando uma de homem aranha, então resolvi esperar. Até que, volta a funcionar... E saímos... O engraçado é que os outros que estavam lá, não quiseram sair, e continuaram no brinquedo. E ju quando foi sair, quase foi atropelada pelo outro banquinho... O pessoal lá é bem desorganizado.

Pior do que isso, só a quebradeira da lula gigante... Aquele pagode horrível do lobo mau que "vai me comeeeeeeeeeeeeeer" (geeeeeeeeente) misturado com o brinquedo mais idiota do mundo que só gira, gira, gira, até você querer colocar tudo pra fora...

Mas enfim, essa foi a melhor parte do dia.

E como combinado, eu e ju fomos à casa de Mariana. Chegamos lá no horário, e bem, só tinha Mariana na minha super festa. Duas horas depois, quando eu já tinha ido dormir um pouco, chega Samory, o primeiro convidado da festa!!!! Uma hora depois chega carol, a segunda convidada!!!!! E última... O resto desmarcou de última hora ou não compareceu deliberadamente. Maravilha!

Foi a coisa mais deprimente da minha vida, fazer 20 anos, por si só é a coisa mais deprimente que pode acontecer a alguém que estuda violino com a pretensão de ser um profissional, mas chegar lá, não ter ninguém, aquele desanimo nos poucos 2 convidados, comer pizza crua, bolo vegano sem óvos e sem leite, com o parabéns pra você mais deprimente: "Gente pára, esse momento está sendo realmente traumatizante..."

E ainda ver Ju cantando sozinha com aquela cara de sofrimento, de quem deu uma idéia que não foi acolhida: Derrama, Senhor, Derrama, Senhor...
Só não foi mais triste porque foi engraçado... E pra piorar, o único presente que ganhei foi um chutão na canela dado por Mariana, que está roxo até hoje.

Posso dizer com certeza que o ponto alto da festa, além do meu show pirotécnico de incendiar bombril na sala da casa de Mariana, jogando bombril em brasa pela casa toda e deixar tudo pra Mariana arrumar... Com certeza, fora isso, o ponto alto foi eu cacarejar a Ária da Rainha da Noite da ópera o Flautista Mágico (flautiiiiista, né tia Margarida?).

Fora isso, o trem fantasma foi a coisa mais emocionante e memorável do dia...

E agora algumas imagens que tiram a necessidade de todo o texto acima...

Mas quer saber? Apesar de todo o horror, tudo vai ser sempre divertido demais para lamentar! E como a miséria é às vezes tão mais divertida do que a boa vida!


Essa eu tava inspirado... (Atenção especial para os únicos balãozinhos da festa, enxidos enquanto eu dormia... raẽoriaroiaeoriaoreia. Acho que eles até gostam de mim...)


Momento do discurso: "Esse é o pior aniversário da minha vida, e isso não seria possível se meus melhores amigos não tivessem deixado de vir, e eu estou aqui, uma é a dona da casa, a outra é minha namorada, Samory veio porque quer pegar Mariana, e essa outra garota eu vi uma vez na vida e eu nem sei o que ela tá fazendo aqui..." Foi o mais próximo que fiquei de uma expressão de serenidade.


Samory tava se divertindo bastante...


Samory tava gostando mesmo, e olha que nem álcool tinha... ARROCHA SAMORY!

Friday, May 08, 2009

O dia em que decidi ouvir Bach

Estava em casa...
Pensando um pouco, então decidi ouvir algo realmente denso.

O que ouvir? Se não meu maior companheiro de Bach: Bach! (infame).

E então veio a dúvida, mas o que ouvir? Sonatas e Partitas para violino solo? Sonatas para clavier e violino? Não... Queria algo realmente denso. Me restou duas opções: A arte da fuga e Uma Oferenda Musical. Decidi pela oferenda musical. Tenho duas gravações, uma que substitui o cravo pelo órgão e outra com cravo. A com órgão é interessantíssima, mas o intérprete se arrisca pouco. Queria ouvir aquela outra gravação que tinha ouvido poucas vezes, talvez duas e há cerca de um ano. Aquela em que o intérprete é de fato um intérprete. Lembro de ter achado interessantíssimo a maneira como ele manipulava o tempo, de forma tão musical, quase imperceptível mas que coloria toda a música.

Acho que cheguei na parte mais densa de todo o meu acervo, Musical Opfering com Gustav Leonhardt.

O que não fazia idéia era do efeito colateral...

Tudo corria tão interessante, tão gracioso, com ornamentação realmente refinada. E continuo a ouvir, e de repente começo a sentir algo estranho no peito, e algo mais estranho, e mais estranho, e me sinto cada vez menor, e menor, ao ponto que já não me era mais possível alcançar o mouse para desligar a música. Nem ao menos o botão do estabilizador me parecia acessível, fiquei alí na minha impotência diante de uma tortura sacralizada, da qual não conseguia me livrar.

Não sabia se aquilo era bom ou ruim, só sei que não conseguia pensar em outra coisa se não ouvir até o final sem nem lembrar de respirar.

E a sensação de pó sub-humano tomou conta de mim de uma forma que já sentia vontade de rir pensando, como isso está acontecendo, por que estou com essa cara de garoto órfão em dia de natal?

Não sei, só sei que continuo a ouvir toda essa incrível obra, nessa sensação de dejeto.

Comecei a pensar, o que é que esse cara tinha?
Como alguém, humano, consegue fazer com que eu sinta isso?
E pensei... Sobre a concepção generalisada de Bach no meio artístico: "Revelação musical da onipotência divina".

Já vi até ateus dizerem isso: Se existe um Deus, Ele está presente na música de Bach.

E está mesmo.
Comecei a pensar novamente. A produção mais vasta da música, sem contar com o triste fato que só conhecemos cerca da metade dela, segundo estudiosos.

Mas isso não quer dizer nada. Me bastava apenas ouvir esta gravação da oferenda musical, mesmo que fosse a única obra deste incrível compositor. E o nome não poderia ser melhor. Uma oferenda musical a Deus em que as migalhas caíram para que nós nos deliciemos com essa incrível manifestação da arte pura e genial.

Bach me fez escolher por essa vida de músico e me mostrou que valeria a pena, não importasse o custo.

E penso, de onde veio toda essa genialidade?
Lembro-me de uma aula incrível com um professor tão incrível quanto, queridíssimo professor de harmonia Flávio Queiroz, que apesar de ter me reprovado (com toda a razão), deixando claro que não aprendi muito de harmonia o que não me deixa tantas mágoas, afinal aprendi muito, mas muito sobre aspectos que considero mais importantes para a minha formação, harmonia está tendo sua vez de ser aprendida neste ano, quanto ao que aprendi naquele ano, coisas como essa, valeram o ano. Flávio depois de nos emocionar com uma audição de Bach falou:
"Como é possível? Ora, Bach deixava claro, escrevia Soli Deo Gloria (somente para a glória de Deus) em boa parte das suas obras, não escrevia para homens, mas para Deus. Ora! Para agradar a Deus não há limites, a produção poderia ser sempre melhor, e Bach o fez."

Como considerar ateu o declamador de tal afirmação. Lembro dele relatando sua crença: Já me dediquei a várias crenças, já fui ateu, já não o fui, e hoje eu decidi que já não sei mais se existe um Deus e se existir, enfim...

Pois é. Se existir, Ele é descrito em toda a obra de Bach.

Só isso explica o meu sentimento de inferioridade ao ouvir essa música incrível.
E não falo isso como músico, ora como músico, ao ouvir tudo isso, já não posso mais me considerar músico, muito menos estudante de tal ciência.

Mas como humano.
Adapto aqui as palavras de meu querido professor:
Se o sou realmente [humano], já não me importa mais tanto assim.

E somente mais uma última reflexão baseada nas palavras incríveis e inspiradoras daquela aula, da qual a única coisa que me recordo foi tal afirmação:
Se os seres humanos tentassem agradar a Deus, escrevessem em sua vida Soli Deo Glória... Ahhh, como seria incrível e fascinante estar entre humanos. Seria com certeza o maior dos orgulhos, ter nascido humano. Um nascimento e entraríamos para os livros de história.
Que o exemplo de Bach continue a ecoar por toda a eternidade.

Soli Deo Gloria.

"Ora! Para agradar a Deus não há limites."


Link para ouvir a tal gravação, completa:
http://www.mediafire.com/file/yyzm0vihzke/Bach_Oferenda Musical_Leonhardt.zip

(Post ainda a ser corrigido).

Tuesday, March 24, 2009

Sobre o que escrever?

Acordei com uma estranha vontade de escrever, mas sobre o que?
Percebi que na maioria das vezes escrevia um ocorrido, quase como uma crônica...
Sinto saudades de escrever, mas não consigo encontrar sobre o que escrever, cheguei a uma conclusão... Fiquei chato.

Será que é o amadurecimento?

É realmente assustador pensar assim...
Por que não escrever sobre isso?

Bem... Estas férias foram especialmente diferente, viajei no carnaval para um retiro espiritual, que apesar de ter sido muito bom, penso que poderia ter aproveitado para ter tido uma experiência com Deus mais forte... Experiência esta que Deus aproveitou para fazer comigo, pela primeira vez em plena atividade.

Sempre tive um histórico de uma proximidade maior com Deus durante as férias, mas de alguma forma Deus começa a me buscar de uma forma bem incisiva, em pleno 5º semestre de faculdade.

E acho que este fato tem muito a ver com o tópico de hoje.
Amadurecimento.

Pela primeira vez vejo um namoro (não ju, não é só um namoro, como qualquer outro, antes que você me olhe com aquela carinha de órfã faminta) dando realmente certo... Estamos crescendo juntos, em todas as áreas importantes da vida, saúde física, mental, intelectual e espiritual.

Estou numa fase que posso dizer que pela primeira vez não estou insatisfeito com as coisas...

Parece que alcancei uma estabilidade maior, e a palavra "equilíbrio" tem um sentido maior e mais presente na minha vida.

Larguei aquelas besteiras de ser o melhor nas coisas (obviamente que não alcancei o êxito nisso), de imaginar um futuro inalcançável, com muito dinheiro e coisas luxuosas, percebi que isso não é pra mim, percebi que não preciso destas coisas...

Percebi que me sinto muito melhor hoje, sem ter nada destas coisas...
Posso dizer que estou amadurecendo, e estou conseguindo fazer isso sem me tornar adulto (pejorativamente)... Apesar de eu não ter histórias pra contar, posso dizer que a vida tem sido muito divertida...

Percebi em como as coisas parecem tão diferentes...
Como se eu tivesse feito uma viagem de anos e agora volto para o local de origem, com uma percepção diferente.

Mas não houve viagem alguma, somente alguns fatos antigos, (alguns nem tanto, como a volta às aulas) que se repetem agora, e já tenho uma idéia tão diferente sobre eles...

Como agora vejo o violino de uma forma diferente, como agora ouço música de uma forma diferente, leio a Bíblia de uma forma diferente, como me vejo de uma forma tão diferente, e logo, faço música, falo, escrevo de uma forma diferente.... E posso falar que faço tudo isso de uma forma melhor. Deve ser o tal amadurecimento.

Mudamos o tempo todo, mas algumas vezes são verdadeiras rupturas... É exatamente o que posso dizer deste momento histórico da minha vida... Estou vivendo um pós-ruptura muito interessante, e que promete muita coisa.

Piadas que antes achava engraçadas já não parecem tão divertidas. Piadas que achava sem graça, hoje não consigo segurar o riso (como em desenhos infantis, que hoje são muito mais engraçados do que antes, neste ponto acho que regredi). Músicas que antes achava um tanto quanto estranhas e feias, hoje mexem comigo de uma forma peculiar, já outras que antes eram tão fascinantes para mim, hoje já são um tanto quanto simplórias (o que em nada tem a ver com "simples"), quase banais...

Pessoas que antes não dava muita importância, hoje eu as vejo com uma importância especial. Comportamentos que antes eu era o primeiro a criticar e julgar, hoje vejo de uma forma mais pacífica e tolerante...

Talvez essa seja a tal transformação que tanto falam. Não sei se é um processo natural a todos, ou se é uma opção de alguns, ou até fica ao acaso, ocorrendo de forma espontânea para uns e outros... Não sei, só sei que aconteceu comigo, e me fez muito bem.

A verdade é que me sinto mais em paz comigo mesmo, sinto uma transformação muito forte acontecendo aqui dentro, e já vejo que o resultado será ótimo, espero saber usar este resultado no meu compromisso de "boa pessoa" extendendo estas melhoras aos outros e não só a mim. A verdade é que, querendo ou não, sempre estaremos nos extendendo para os outros, influenciando, sendo influenciados, cabe a nós (ou daquilo que nos alimentamos) decidir se será uma influência boa ou ruim.

Este início de ano letivo tem sido bem diferente, quase estranho, o que passa bem longe de ruim.

É... Um post reflexivo (chato), era o que precisava para confirmar toda essa adultice velada (ou não)... A verdade é que talvez eu esteja em um dia reflexivo (ou talvez eu esteja ouvindo Bach demais).

Não quero me delongar, confesso que me delicio em escrever na minha função comunal de palhaço, o que neste caso não está acontecendo. Fica para outra hora.

Tuesday, September 09, 2008

Considerações: Por que não comprar produtos desconhecidos pela internet?

Depois daquele texto que explicava o porquê da minha impulsividade adolescente feita pela minha querida amiga Elaine, tudo ficou mais fácil de ser compreendido.
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Mas se não fosse assim, não haveriam histórias para contar.

Mas por que escrever em um blog? Pensava nisso enquanto voltava para casa... Por que as pessoas escrevem? Ok, além de toda a utilidade da escrita de registro histórico e suporte de comunicação... Há uma outra coisa por trás, talvez até mais importante do que estas que fizeram da escrita uma forma de expressão única... Que interesse haveria em registrar historicamente um fato banal como o que será relatado agora? Que interesse em utilizar isto como comunicação? Nenhum...

Dentro destas questões entrei na minha costumeira reflexão.
Resultado: Escrevemos na maioria das vezes quando há interesse forte em externar uma história, uma sensação, um sentimento, uma vontade, e não há com quem dividí-la... Logo, fazemos isto conosco, mas não da forma super fragmentada através do pensamento, mas sim de forma organizada através de uma linha de raciocínio contínuo que liga a primeira palavra até a última do texto, mantendo uma lógica entre os acontecimentos, por mais ilógicos que estes sejam, como realmente serão.

Então... VIVA A FALTA DE DIÁLOGO! E aqui estou...

Tudo começou quando meu fogo no rabo instinto adolescente me levou a achar que as coisas não eram divertidas e interessante o suficiente como são, e então, por que não fazer algumas pequenas mudanças?

Bem... Eu tenho uma maravilhosa impressora Lexmark z647, talvez nem tão maravilhosa, mas satisfatória, mas eu quero imprimir, imprimir, imprimir, imprimir...
Até que então penso: Tenho que otimizar meu consumo de tinta. Preciso de uma alternativa mais econômica!

Genial!
Nessas horas penso... Não sou tão burro, mas não... Deixa ele só continuar que pronto, começa a aparecer um pouco daquilo que motiva alguém a ler um texto deste até o final...

Então logo penso: Por que não uma impressora matricial?
E agora, depois da idéia maluca, vem a justificação louca lógico-científica.

Sim! Ela imprime cerca de 500 folhas por refil, e o refil custa apenas 5 reais.
Ao passo que uma jato de tinta imprime cerca de 200 folhas por cartucho, que custa cerca de 50 reais.

Claro, logo me vanglorio de ser mais esperto que o mercado, de descobrir uma alternativa muito mais inteligente e econômica!

Claro, então procuro uma mais baratinha e de preferência na Bahia, encontrei!
Marco o encontro e vou todo feliz pagar MINHA IMPRESSORA MATRICIAL!!! (ahhh, como gosto de ser excêntrico diferente... tô adorando usar esse rasurado hoje, né?).

Então vou lá para pegar, e ele se oferece para testá-la na minha frente, não fosse isso, tudo poderia ser diferente...

Então vamos lá, ele abre o pacoto e vejo uma monstruosidade amarelada, feia, QUADRADA!!!!!, e com quase que um sorrisinho cínico de canto de boca, perto daquelas letras que diziam EPSON LX810.



Ok, para uma primeira impressão (sacou o trocadilho? entendeu, entendeu?), não era aquilo que esperava, tá bom... Mas não queria julgá-la pela aparência, se fizer o trabalho bem feito, por que não manter um sorriso no rosto?

Então começamos o teste...
Primeira folha... Começa a impressão.
E vejo que a começar a imprimir começa um som... algo como poderia dizer... Não era tão agressivo, era quase sutil... sutilmente ensurdecedor, mas não perdia sua elegância... Naquele momento pensei que poderia tentar composições contemporâneas para violino en scordatura impressora matricial e televisão chiando. Ah se eu tivesse uma torradeira...

Mas logo me concentrei novamente em... Imprimir, imprimir, imprimir...
Logo vi que suportaria aquele barulho, ou achava que suportaria... Então continuamos com os testes... Após os 2 minutos para imprimir uma folha com 3 palavras, já percebia que não conversávamos, mas gritávamos pacificamente um para o outro, conduzindo para a próxima parte do teste.

Continuamos...
Terminamos os testes com o papel contínuo, então quis testar o papel avulso para ver se estava funcionando bem, afinal era o que mais usaria.

Então continuamos. E se colocou o papel e imprimiu perfeitamente após uma pequena guerra nuclear. Então berrei: QUERIA VER IMPRIMIR DUAS FOLHAS DE VEZ!
E ele: TÁ BOM!!!!

Aí partimos para a violência com a coitada... Ao terminar de imprimir a primeira folha, vi que ele então colocou a segunda.

E eu perguntei: POR QUE NÃO DEIXA AS FOLHAS NO SUPORTE???
E ele: VAMOS TESTAR!!!

E lá vamos... Quando ela engoliu as três folhas de vez.
Neste momento, as coisas já não eram tão engraçadas... Me vi passando horas para imprimir um trabalho, página por página, 2 a 3 minutos para cada página, tendo como único entretenimento aquele pequeno caos mecânico-operístico contemporâneo...

Naquele momento, nos 4 minutos seguintes em que imprimia, já começava a pensar quanto eu conseguiria por aquela geringonça em uma futura venda...
"Tá bom que já tinha algo como uns 10 anos de uso, mas acho que ela ficaria tranquilamente na seção de semi-novos sem ser desmascarada... Só precisaria comprar a manopla que se perdeu, trocar a proteção que havia quebrado, passar umas 10 doses de álcool isopropílico, até que o produto fique quase-limpo (de amarelo para bege), além de altamente inflamável... Não... Há limites para a forçação de barra..."

E continuava a pensar em alguma saída... Quando desisto, me rendo... E falo, ok...
Afinal, já tinha dado o lance, já tinha feito a compra, só faltava pagar e levar o produto.

E lá vou eu tirando o dinheiro do bolso, quando vejo que ele não colocou o cabo de dados no pacote.
E perguntei: E o cabo de dados? (neste momento já havíamos nos acustamado um pouco com o silêncio e falávamos como pessoas normais, com ainda alguns lapsos bérricos)
E ele como que fosse desmascarado fala: Putz, realmente! Esqueci de ver isto!
Logo vi que o cabo de dados que ele usou não estava incluso.

Ele me informou que poderia pegar o cabo de dados em outro lugar, mas que eu poderia levar a impressora.

Então disse que eu só levaria a impressora com o cabo de dados, afinal, não encontraria para comprar fácil um cabo paralelo (viva a antiguidade!).

Então, em um pequeno lapso de genialidade (de vez enquanto volta...) digo que voltaria para pegar a impressora e pagar, quando estivesse com o cabo.

Saio daquele show de horrores ainda em choque, descendo as escadas lentamente, caminhando e pensativo... E quando passo pelo portão e vejo que não há mais visão de nenhuma janela, devido a um muro próximo, dou uma risada que saiu um pouco mais exagerada que imaginava ao se libertar... Risada essa que queria soltar todo o tempo daquela demonstração horripilante, uma risada nervosa, uma risada de medo e pavor...
E o momento divertido, só passava quando lembrava do dinheiro que deveria pagar.

Mas agora estava a salvo, no meu bolso, longe daquela máquina de lavar gigante que imprime.

Desconfiado, saí andando em labirinto para despistá-lo... Nunca se sabe, vai que aquele vendedor resolve me seguir para vir trazer o produto na minha casa... E então dando voltas e voltas, julgo ser seguro para voltar para casa... Ainda não estou totalmente tranqüilo...

Agora só preciso dar um jeito de despistá-lo para o resto da minha vida... Mudar o número de celular, o e-mail... Nome, sobrenome, estas coisas...

Como toda experiência, há aprendizado (e considerações inúteis).
  1. Cuidado com vendedores que te recebem com cara de: "Tem certeza do que está fazendo?"
  2. Cuidado quando durante a demonstração do produto há pequenas risadinhas de ambas as partes.
  3. Ou aquele vendedor é realmente muito simpático, ou ele estava se segurando para se acabar de rir. E vejo que o mesmo vale para mim.
  4. Se isso acontecer com você, não tenha medo de falar que se decepcionou com o produto, e caso haja uma comissão já estabelecida, aceite pagá-la como desculpas e anime-o dizendo que irá vender rapidamente para alguém que se enquadre mais no perfil do usuário de uma impressora matricial.
  5. Ás vezes a modernidade acerta, confie nela (já deveria ter aprendido essa quando tentei comprar uma pedrebike Monark Barra Circular).
  6. Produtos com mais de 10 anos de uso, não passam tranqüilamente por semi-novos...
  7. Tenha sempre uma boa desculpa (às vezes um pequeno "acho que minha mãe está me chamando" funciona) para conseguir sair da casa do vendedor e então passar um e-mail após um certo tempo (para pensar numa desculpa melhor) esclarecendo a problemática...
  8. Antes de fazer algo realmente diferente, saiba exatamente o que está fazendo... Principalmente quando todo mundo dá gargalhadas risadinhas (como as que dei) quando eu contava da minha nova aquisição...
  9. Apesar do som estridente, se bem combinado, poderia ser realmente algo bem estranho musical.
  10. Ser uma pessoa um pouco excêntrica é realmente divertido.