Um artista anônimo

Tuesday, October 23, 2012


Juolgoamento.

"E todos acompanhavam a decisão do julgamento:
- Inocente. - diz a ministra Carmen Lucia
As pessoas se entreolham em suas casas.
As decisões prosseguem.
- Inocente. - continua a ministra Rosa Weber.
- Inocente. - Dias Toffoli se une ao coro.
Já se pode ouvir um grito ou outro pela janela, um certo descontentamento. A decisão estava por um voto... A tensão tomava conta de todos os brasileiros. A esperança não morria, mas o temor tomara conta de cada espectador, era ELE que decidiria.
- Inocente. - Com um ar quase sarcástico, pronuncia Lewandowski.
A confusão é geral! A população enlouquece! As pessoas gritam sem parar em suas janelas:
- JUIZ LADRÃO!!!!
Vê-se televisores sendo arremessados, voando pelos ares, numa fantástica chuva de eletrodomésticos.
Ouve-se choro, gritos inconformados, berros ao longe, numa vaia constante de tremer as paredes."

Será que um dia esse meu sonho se realizará?
Ou terei que me contentar em ver isso na final de 2014, quando Neymar isolar o penalti aos 49' do segundo tempo?
PS.: Para meus amigos alienados, Carmen Lúcia, apesar do nome homônimo, não é a protagonista de Avenida Brasil. Essa vocês vaiariam, né? Palhaços.

Friday, March 16, 2012

Medo, domínio, timidez e previsibilidade

Não sei nem como começar, o farei como faço sempre... Começando.
Quase nunca eu sei sobre o que vou escrever, dessa vez não será assim.
Comecei a refletir sobre o medo e outras coisas que o permeiam ou são permeadas por ele.
Ao contrário da maioria das minhas reflexões, que se encerram em si mesmas, fazendo-a somente para mim mesmo, essa reflexão é uma tentativa de externalizar algo que nunca entendi em mim, por isso o farei escrevendo.
Como não sei muito bem os processos que ocorrem dentro do assunto que irei abordar, tentarei descobrir junto ao leitor, desculpe-me os rodeios e correções, entenda que não é um texto de estrutura planejada.
Comecemos então.
Aos que me conhecem (de longa data ou não, mas conseguiram me conhecer, independente do tempo que precisaram para consegui-lo), sabem que eu não preciso de muitas explicações para entender algo. Na verdade, na maioria das vezes eu não preciso de explicações nenhuma, ao menos, não de explicações verbais.
Baseado em alguns atributos como sensibilidade, percepção, memória, e agilidade de raciocínio lógico, eu costumo conceber as idéias sem a necessidade da externalização verbal da contraparte.
Poucas coisas me enganam, poucas vezes me decepcionei, poucas vezes julguei precipitadamente de forma incorreta. E acredito que a partir disso construí a minha segurança pessoal.
A segurança, é basicamente o domínio sobre o medo.
O medo é basicamente, aquilo que nos domina.
De uma forma mais científica e menos filosófica, o medo seria aquilo que diz que estamos em perigo.
Com o decorrer da história, o medo foi se tornando mais um problema, ou até um distúrbio, do que de fato uma arma importantíssima para a sobrevivência (não que ainda não o seja, mas leve em consideração as proporções da comparação que o faço dentro da espaçadíssima cronologia).
Logo, o medo passa ser tudo aquilo que de algum modo nos faz nos sentir ameaçados, e a ameaça vem pelo fato de não conseguirmos controlar tal situação, logo, o medo é a falta de domínio sobre as coisas que conhecemos, bem como o desconhecimento das coisas, tudo isso aliado ao nosso pessimismo intrínseco (não conhecemos, então esperamos o pior, e isso nos causa medo).
Um exemplo rápido e simples, primeiro dia de aula em uma nova escola:
Esperamos que todos não gostem de nós, que iremos tropeçar na frente de todos e cair, fazer xixi nas calças, ser humilhado, gaguejar Pre-pre-pre-sen-te.
Metade destas coisas realmente acontecem, mas não por outro motivo que não o fato de ter havido se preparado para que elas acontecessem.
Logo, o medo do que não conhecemos, as pessoas envolvidas, o colégio, as regras, os hábitos, nos cria uma situação de stress, e passamos a ser dominados pelo medo.
Outro exemplo rápido e um pouco mais complicado e mais sociológico:
A dominação medieval por meio da religião (ou melhor... tradição religiosa), onde a maior arma foi a criação de uma situação de ignorância comum por meio de uma língua desconhecida na maior parte da Europa (latim), tornando inacessível todas as fontes de conhecimento religioso à população, e tornando criminosa a curiosidade e a vontade de aprendizado acerca dos assuntos teológicos. Tal situação criou um estado de dominação (não pela religião como dizem alguns, - uma vez que o princípio da religião é o espiritual, o físico e o intelectual - mas sim pela ignorância) por cerca de 1400 anos.
De alguma forma milagrosa, eu que sempre fui uma criança inexperiente na maior parte das coisas, compreendi o medo muito cedo e a forma como ele age (não compreendê-lo seria burrice, medroso era a minha característica mais forte na infância, eu sempre estive bem perto do medo para entendê-lo).
Sabia que conhecer as coisas me tornaria imune ao medo, pois assim poderia prever as situações e saber o que esperar, e estar preparado para o que iria acontecer, logo o medo seria reduzido a uma ansiedade pequena devido ao suposto conhecimento das coisas futuras, ansiedade esta que é bastante saudável, nos dando concentração e energia para enfrentar cada situação de acordo com a seriedade desta.
Então acabei por desenvolver um truque muito interessante para dominar o medo social que me dominava.
Eu que nasci tímido por natureza, e ao mesmo tempo aventureiro por natureza, tinha no meu sangue uma mescla de desejos conflitantes... Queria conhecer as coisas, aproveitar os momentos, e o medo nunca me ajudou muito. Então sabia que se tinha as duas vontades, era só questão de fazer a melhor vontade prevalecer e tentar encontrar o equilíbrio entre as duas.
Percebi que meu medo estava muito relacionado à impressão de outros olhos, o tímido não é só tímido, é uma pessoa sensível e perceptiva, basta um olhar diferente, e ele está magoado e pensando que a raiz das coisas ruins no mundo é sua responsabilidade. O tímido tem medo de ser notado, porque é vaidoso, é orgulhoso, não quer que notem algo ruim nele, não quer ouvir defeitos seus, e isso porque percebeu os defeitos que tem. Mas timidez também é um pouco de egocentrismo, ele enxerga os próprios defeitos, e não percebe que todos ao redor também possuem defeitos, e que os deles não incomodam os outros mais do que os defeitos de qualquer outra pessoa.
Baseado nessas considerações eu comecei a pensar sempre antes de fazer algo: Felipe, o que você, estando do lado de fora, diria, pensaria e acharia?
Aí vai da tua criticidade contigo mesmo. Mas em geral, eu pensava: Se fulano fizesse isso, o que você, Felipe, pensaria?
E via que era algo totalmente normal, que se estabacar no chão era só algo engraçado, e não humilhante, como pensava antes.
Que mijar nas calças, só significava que alguém bebeu água demais e que a professora não deixou você sair da aula porque era a aula antes do recreio (meu colégio era meio militar nas primeiras séries, acredito que era o respingar da recente queda da ditadura).
E comecei a ter menos medo das coisas e a ser mais tolerante com os outros, e principalmente, comigo mesmo.
As primeiras decepções é quando você entende que as pessoas vão achar ruim, não importa o que você faça, e que elas não pensam como você, que preferem criticar os outros para se sentir melhor consigo mesmas (o caminho inverso do tímido, que se critica porque não se sente digno do meio em que vive).
Então, diante desta prática de percepção exterior de si mesmo, a gente aprende a entender mais da nossa cabeça, das características da personalidade, e começa a adquirir a prática, em pequena escala de leitura de pensamentos.
Eu comecei a entender mais sobre isso depois de ler diversos livros da série de Connan Doyle. A forma como ele estrutura o pensamento instintivo (a segmentação da perspicácia), mexeu muito comigo a partir do início da minha adolescência.
Comecei a entender aquelas impressões sem sentido que temos e a racionalizá-las.
E desde então a gente começa a entender sinais claros. Isso, em tese, funcionaria com poucas pessoas, pessoas dentro da forma, o que eu chamo de pessoas standard. Feitas ao molde geral.
Em tese essa deveria ser a minoria, mas devido aos acontecimentos da história e da dominação do pensamento imperialista (e não me refiro a um império geográfico ou político) sobre os meios de conhecimento, o padrão se tornou maioria absoluta. Com isso, o pensar diferente (na fase adulta) se tornou uma arma absoluta para a imunidade sobre a dominação - uma coisa que qualquer criança recebe de nascença.
A partir do estudo desses padrões, você começa a compreender como as pessoas funcionam, independente de sua cultura, situação social, são humanos agindo como humanos.
A partir deste conhecimento, construí minha segurança, sabia o que esperar, como agir, o que dizer, o que fazer, e a vida social virou uma espécie de jogo de xadrez com oponentes muito fracos.
O problema é que confiar na perspicácia, sensibilidade e percepção para se auto-afirmar como pessoa, é loucura, mais cedo ou mais tarde apareceriam exceções, o que confirmariam a existência da regra que criei.
E apareceram. E cada exceção é fantástica, me tornei absurdamente próximo de todas as que encontrei, e aos poucos fui entendendo mais sobre o que seria de fato ser diferente.
E percebi que toda vez que me deparo com uma exceção, uma parte de mim quer se aproximar para aprender, e para compartilhar do fato de ser exceção (é um fator de atração), mas me deparo com o meu medo infantil de não saber o que esperar, e que meu pensamento acerca do padrão não é suficiente para saber como agir. Percebi que retornei ao meu estado infantil. Sendo dominado por aquilo que não conheço.
E foi nesse duelo entre o desejo de conhecer o desconhecido com o medo do que posso encontrar, que comecei a me conhecer de fato. Percebi que conhecer os outros era fácil, difícil era me entender e saber como funciono.
Descobri que o medo não era dos outros, o medo era de mim mesmo. Não sei do que sou capaz em determinadas situações, não sei como vou reagir diante de certas coisas.
Ainda não me conheço.
E mais uma vez retorno aqui para dizer algo que achei ter entendido e vejo agora que não sei na prática o que significa:
"Genói hoios essí / Torna-te aquilo que tu és."
De que adianta ler pensamentos, se não sei de fato o que se passa dentro da minha cabeça.
Logo entendi que o tímido tem medo dos outros, porque espera encontrar no outro aquilo que encontra em si... Medo.
E não é medo infundado.

Sobra aqui, falta ali. E está evidente para mim que - ao contrário do que pensava - o que me falta está muito além de não conseguir amarrar o cadarço na primeira tentativa. Percebi que é algo muito mais complexo. Seria fácil estar no grupo seleto de gênios da pós-modernidade se o preço fosse ter uma dificuldade incomum em amarrar os cadarços do meu tênis...
Meu medo é que eu não saiba amarrar os cadarços daqui de dentro.

Como é bom encontrar pessoas que nos intimidam por serem diferentes, melhor ainda quando se tem a consciência de que o mesmo ocorre na contraparte.
E foi percebendo que outros me temem como eu os temi, que enxerguei que não há o que temer além de mim mesmo.


"No amor não há medo, mas o perfeito amor lança fora o medo, porque o medo envolve castigo; e aquele que tem medo, não é perfeito no amor." 1 João 4:18





Thursday, September 09, 2010

Genoi hoios essi.

Nos últimos tempos, tenho investido parte do meu dia em tentar compreender algumas situações particulares, situações que passei a considerar que não seria comum às pessoas, visto que nunca vi alguém que pudesse me compreender de fato dentro destas questões, e quando me refiro a me compreender, estou falando de alguém que tenha chegado à mesma conclusão a que cheguei.

Posso dizer que fechei um ciclo da minha vidinha insignificante ao alcançar tais conclusões. Conclusões não concludentes, mas que abre uma gama de horizontes infinitos, aos quais cabe a mim, somente escolher a qual seguir.

Posso dizer que finalmente pude entender, a talvez mais famosa frase de Píndaro. Uma frase que sempre gostei.

"Genoi' hoios essi mathon."

Transcrita por Nietzsche e utilizada como subtítulo de Ecce Homo em tal forma: "Genoi hoios essi " (Torna-te o que tu és).

Posso dizer que a raiz de meus conflitos mais ingênuos (e por conseqüência, os maiores) estavam explanados em tal afirmação. Tornar-me o que sou. Por muito tempo tentei entender o que isso significa. E qual seria a importância disso, e por que já não sou o que sou, ou o que deveria ser?

Entendi que cada um nasce com necessidades diferentes. Com desejos diferentes, e que mesmo com essa banalização da individualidade, com esse bombardeamento massivo de uma opinião, de um estilo, de uma moda, de um "gosto", de um modo de vida... Mesmo com tudo isso, cada um tem a sua necessidade básica de suprir a sua individualidade, seja ela qual for. Mas o que tenho visto é o oposto, pessoas tentando suprir seu vazio particular com o que é lançado a ela, a saber, consumo e sexualidade obsessiva (sendo este último, nada mais que outra forma de consumo).

De alguma forma, não sei se por não ter aderido ao que me foi imposto, não tendo pelo qual ser entorpecido, um vazio estranho me perseguiu. Mais estranho que o próprio vazio, foi o fato de me permitir conviver com ele por anos.

Então de alguma forma, brechas luminosas de consciência vinham caindo sobre mim nos últimos tempos, sendo somente compreendida de forma prática, ontem.

Me vi órfão, sem ser o que sou, até tendo esquecido de fato o que sou e o que queria ser. Sem aproveitar dos entorpecentes do mundo, não consumindo ou me auto-consumindo, em larga escala para calar os meus profundos desejos de ser o que deveria ser.

Conclui que inconscientemente estive sempre diante ao seguinte impasse: Curar o ferimento ou anestesiar a dor?

Algo simples de decidir, não? Tão simples que não pensamos o bastante e decidimos errado.

Por muito tempo decidi errado, tentei anestesiar a dor com coisas que nunca me completaram. Ora, se algo foi feito para que milhões ou bilhões de pessoas gostassem, posso concluir que não foi feita para mim. Sim, sou especial, e não é esse especial que todo mundo é... Sou especialmente especial.

Essa é a única explicação para como cheguei a tal situação, e negar isso me fará continuar errando por toda a vida.

Tentei jogar o jogo como todo mundo joga. Tentei, juro. Mas nem ao menos cheguei perto de conseguir. Existia uma barreira que nunca me habilitou permitir a viver levianamente, por mais que eu tentasse e insistisse... E insisti.

Ia contra à minha natureza, logo percebi que nesse jogo da vida que todo mundo joga, eu sou café-com-leite.

Se a vida leviana torna a sobrevivência suportável para todos, por que não poderia fazer o mesmo por mim?

Descobrir que não sou "todo mundo" foi imprescindível.

Agora entendo porque fazia mais sentido ficar em casa ouvindo minhas músicas, lendo, comparando gravações, pesquisando, descobrindo, aprendendo, refletindo, desenvolvendo, do que sair pra curtição, mesmo quando estava afim de uma curtição.

Agora sei o que responder quando me perguntarem como eu consigo viver desta forma... É simples: Eu sou assim. Nem melhor nem pior que ninguém, mas diferente.

Percebo que cheguei a essas conclusões devido às minhas condições inatas que me fazem ser o que sou. Minha percepção aguçada, capacidade de conexão entre as idéias, facilidade de aprendizagem, tendência à profunda reflexão, prazer no auto-cultivo, aversão ao efêmero. Mas não só por essas qualidades (ou maldições a quem divide tal experiência comigo, só nós sabemos como isso pode ser ruim)... O que sobra de um lado, falta do outro.

Ao tentar viver a vida como pessoa normal, tendo amigos normais, e fazendo coisas normais, percebi que sou extremamente ruim nisso, me faltava muitas coisas simples, como saber conversar coisas normais, bom senso (quem me conhece, concorda), fazer coisas da forma como todo mundo faz, fazendo do "porque todo mundo faz" um motivo suficiente para a reprodução. Me falta a capacidade de ser razoável, de ser equilibrado no modo de pensar. Tal intolerância e extremismo, me faziam ser incapaz de suportar uma vida mais ou menos, ter amizades mais ou menos, devido ao fato de que sempre me foi difícil de agüentar uma conversa mais ou menos. Esse último ponto sim, esse atrapalhou muito minha vida. Eu queria ser capaz de agradar pessoas normais. E nunca consegui, me sentia a pessoa mais incompetente do mundo. Eram pessoas que se agradavam com tudo, com qualquer coisa... Mas eu não agradava. Então de tanto tentar, percebi que até poderia agradar se eu ligasse alguns botões de repetição do que vejo, que era uma faculdade habilidade que poderia ser desenvolvida, até que percebi duas coisas:

1. Elas não me agradavam.

2. Eu não me agradava quando agia de tal modo.

Sim, aí está o motivo porque o anestésico nunca funcionou em mim. Me incomodava muito ser daquele jeito, me apavorava o pensamento de que eu talvez passasse a ser assim, raso, de que isso se incorporasse ao que sou. Eu era alérgico a esse tipo de conduta... Tal anestésico tinha reações adversas em mim. Nunca pude sentir seu real efeito.

Agora eu já havia percebido que isso eu não poderia ser. Que nunca agradaria os outros sendo o que sou; que quando os agradava, eles não me agradavam; e que não me agradaria sendo o que os agradava, uma vez que não seria eu.

Era hora de investir em outra coisa... Ser eu mesmo. Mas o que eu era/sou?

Antes de tentar responder isso, tenho que lembrar de Píndaro: "Genoi' hoios essi mathon."

Mas por que Nietzsche transcreveu esta frase e utilizou como subtítulo de sua auto biografia omitindo a palavra "mathon"?

A verdade é que a palavra mathon dá um pressuposto de conhecimento: "Conhece-te e torna-te o que tu és."

Sendo o tornar-se, conseqüência do conhecer-se.

Acho que agora entendo porque Nietzsche omitiu, entendo por diagnosticar isso em mim. Eu não sabia o que era, e talvez ainda esteja aprendendo. Mas a partir do momento que tentei tornar-me o que sou, passei a me conhecer melhor.

Nietzsche não entra em explanação sobre qual seria o motivo de ter omitido tal palavra, mas posso dizer uma coisa, eu teria feito o mesmo.

Ora o que sou? Sou alguém que não consegue estar satisfeito sem preencher às próprias necessidades. Bem, isso todo mundo é, acredito. Então "o que sou" passa a ser o conjunto de necessidades que tenho, e essas sim se diferem? Se estiver certo, agora posso argumentar de forma que ninguém poderá negar que sou especial, especialmente especial... Sim, me incluo nas necessidades especiais de qualquer lugar. Nunca vou sobreviver com o tratamento geral.

Para que eu nunca me esqueça, estas são:

1. Intimidade forte, profunda, prática, real e constante com Deus. Sem isso todo o resto não faz sentido. Meu alimento diário.

2. Respirar música... Posso encontrar uma fonte alternativa de oxigênio, mas nenhuma seria tão interessante como a arte, a saber, a melhor delas, a música, a única que todo mundo gosta, seja lá qual for o seu tipo. Estou para encontrar alguém que odeie música, em pensar que se eu não tivesse encontrado a música certa, essa pessoa seria eu... Só existe um tipo de música que me interessa mais do que o silêncio... A música sincera, feita de coração, não para agradar a todos, nem para tocar sem parar durante 3 semanas em todo lugar e nunca mais ser ouvida, mas para tornar a minha sobrevivência uma experiência mais interessante... Pra me fazer esquecer de dormir, de comer, de sair de casa, pois nada disso se torna interessante o bastante quando me encontro com ela. É quando tudo se encaixa.

3. Pesquisar, descobrir, explorar, aprender, refletir. Me cultivar, me desenvolver: Intelectualmente, emocionalmente, espiritualmente, fisicamente. Sem isso, a vida se torna repetitiva, quase tediosa.

4. Estar com as companhias certas. Sim. Aquelas pessoas que agrado sem querer agradar. Que me agradam sem quererem me agradar. Que existe um magnetismo, uma força de atração, independente de interesse, independente de um motivo para estar juntos. Pessoas que me levam a buscar todos os outros pontos acima, pessoas que me ajudaram a concluir tudo que foi escrito neste texto. Resumindo, quem insistiu em ler esse texto até o final. Sim, estes são (ou poderiam ser serão...) meus grandes amigos pra vida toda. Sim... Ninguém suporta ler um texto como esse, se não houver afinidade, de fato.

5. E por último, mas não menos importante: Leite condensado. Uma das maravilhas da ciência moderna. 10 colheres de sopa de açúcar, um copo grande de leite em pó, meio copo de água fervendo e uma colher de margarina sem sal. Bata tudo no liquidificador, leve à geladeira por mais ou menos quatro horas e se prepare psicologicamente para a experiência gastronômica mais inspiradora conhecida pelo homem.

Oh, leite condensado, como eu te amo. s2

Finalizando, agora que serei eu mesmo, e não mais lapsos de Felipe envoltos a uma personalidade misteriosa até para mim, devo passar a escrever mais (ou não, a preguiça é minha mesma). Cansei de ser eu mesmo uma vez por ano.

Wednesday, September 30, 2009

O pior aniversário da minha vida...



27/09/2009

"Acorda! Acorda!!! Você tá atrasado!"

Atrasado? Eram 6:30h de domingo!!! E ainda era meu aniversário! Opa, meu aniversário? É... Tinha marcado uma ida ao parque de diversões que estava/está na cidade. Então lá vamos nós, eu, minha irmã e Emerson para o ponto de ônibus. Chegando ao ponto de ônibus, após alguns minutos o meu pára-raio de maluco é fortemente acionado, juntamente com o meu sensor de insanidade. Senti o cheiro da loucura, tão familiar.

Chega uma senhora, boa aparência e me pergunta:
- "Quantos anos você tem?????"
E eu:
- Como assim? O que você quer saber?
- Você tem 25 anos???
- Não, senhora.
- Ahhhh - e saiu.

Por muito pouco não aponto pra Emerson e grito: Mas ele aqui tem!!!
raõreiaeriaieroaireoiaeroiaeroaieroi

Então aconteceu de chegarmos lá, encontrei Ju, e tudo foi muito divertido.
Principalmente o trem do horror... Lembrando que era 9h da manhã. E o sol estava castigando-me por esses 20 anos de existência. Então dava para ver tudo lá dentro, eu gritava sem parar: SOCORRO! MEU DEUS! EU NÃO QUERO MORRER!!!! rãoeraoeiraireãirẽoiaoriaoreioai

Eu tava bem empolgado: Dava pra ver realmente tudo, não tinha nada de assustador, era tão claro quato o meu quarto pela manhã com o "blacaute" na janela... Eu berrava o tempo inteiro! Eu berrava tanto, mas tanto que a voz tava falhando já... E no fim, na chegada, eu com a cara como quem estava em estado de choque, e a fila já tinha ganhado vários adeptos com tantos gritos... E eu chegando: EU NUNCA MAIS VOU NESSE NEGÓCIO! SOCORRO! SOCORRO!!!!

raerãoreareioaieroaieroiarioeoria

Rapaz, só sei que teve gente que foi duas vezes pra ver se encontrava o que eu encontrei lá dentro, raẽroareairoeiaoeriaieroaier... E foi assim o tempo todo, mas estava só começando...
A montanha-russa é horrível, não dá pra entender nada, e de repente eu já estava no looping, sendo jogado pra lá e pra cá... Não dava nem pra sentir medo de tão rápido. Nem um pingo de emoção, só um enjoozinho. Totalmente sem graça. O Ranger praticamente jogou meu cérebro pra fora, e não sei por que... Alguma coisa aconteceu dentro da minha cabeça que eu senti meu cérebro saindo pelo nariz. No carrinho de bate-bate eu tava mais de manobrista, dando voltas desviando de todo mundo de ré, com a típica mãozinha no acento do lado, olhando para trás, manobrando calmamente... rãeoriarieaireoiareoarei

Então resolvemos ir na montanha russa mais uma vez, eu tava indo mais pra ver se eu achava alguma graça, quando fico sabendo que a mesma tinha acabado de quebrar... Ainda bem que eu não estava lá dentro quando isso aconteceu, pensei... E então vamos para a roda gigante... Entramos, e começa a dar a primeira volta, e na segunda... Como explicar? Digamos que lá em cima, ela parou, e digamos que ela não voltou a andar... E como eu imaginava, o parque estava caindo aos pedaços... E ficamos longos e longos minutos lá em cima sem poder fazer nada, a ver o rapaz batendo no controle da máquina e falando: Vamos esperar...

E eu gritando: Reseta!!! SEMPRE FUNCIONA COM MEU COMPUTADOR!!!! (nessas horas você tem que ter bom humor...)

E após algum certo tempo, eu virei pra ju e falei: Em caverna do dragão, é assim que eles morrem, só que tipo, no looping de uma montanha russa. E ficamos lá... De vez em quando eu dava uns berros: SOCOOOOOOOOOORRO! ALGUÉM ME TIRE DAQUI!!! EU VOU ME JOGAR!!!!! O pior é que misteriosamente a roda gigante ia descendo pouco a pouco, coisa bem pouca mesmo, quase imperceptível... e ficávamos cada vez mais próximo, mas não podíamos sair, já que o negócio podia voltar a funcionar a qualquer instante comigo preso nas estruturas dando uma de homem aranha, então resolvi esperar. Até que, volta a funcionar... E saímos... O engraçado é que os outros que estavam lá, não quiseram sair, e continuaram no brinquedo. E ju quando foi sair, quase foi atropelada pelo outro banquinho... O pessoal lá é bem desorganizado.

Pior do que isso, só a quebradeira da lula gigante... Aquele pagode horrível do lobo mau que "vai me comeeeeeeeeeeeeeer" (geeeeeeeeente) misturado com o brinquedo mais idiota do mundo que só gira, gira, gira, até você querer colocar tudo pra fora...

Mas enfim, essa foi a melhor parte do dia.

E como combinado, eu e ju fomos à casa de Mariana. Chegamos lá no horário, e bem, só tinha Mariana na minha super festa. Duas horas depois, quando eu já tinha ido dormir um pouco, chega Samory, o primeiro convidado da festa!!!! Uma hora depois chega carol, a segunda convidada!!!!! E última... O resto desmarcou de última hora ou não compareceu deliberadamente. Maravilha!

Foi a coisa mais deprimente da minha vida, fazer 20 anos, por si só é a coisa mais deprimente que pode acontecer a alguém que estuda violino com a pretensão de ser um profissional, mas chegar lá, não ter ninguém, aquele desanimo nos poucos 2 convidados, comer pizza crua, bolo vegano sem óvos e sem leite, com o parabéns pra você mais deprimente: "Gente pára, esse momento está sendo realmente traumatizante..."

E ainda ver Ju cantando sozinha com aquela cara de sofrimento, de quem deu uma idéia que não foi acolhida: Derrama, Senhor, Derrama, Senhor...
Só não foi mais triste porque foi engraçado... E pra piorar, o único presente que ganhei foi um chutão na canela dado por Mariana, que está roxo até hoje.

Posso dizer com certeza que o ponto alto da festa, além do meu show pirotécnico de incendiar bombril na sala da casa de Mariana, jogando bombril em brasa pela casa toda e deixar tudo pra Mariana arrumar... Com certeza, fora isso, o ponto alto foi eu cacarejar a Ária da Rainha da Noite da ópera o Flautista Mágico (flautiiiiista, né tia Margarida?).

Fora isso, o trem fantasma foi a coisa mais emocionante e memorável do dia...

E agora algumas imagens que tiram a necessidade de todo o texto acima...

Mas quer saber? Apesar de todo o horror, tudo vai ser sempre divertido demais para lamentar! E como a miséria é às vezes tão mais divertida do que a boa vida!


Essa eu tava inspirado... (Atenção especial para os únicos balãozinhos da festa, enxidos enquanto eu dormia... raẽoriaroiaeoriaoreia. Acho que eles até gostam de mim...)


Momento do discurso: "Esse é o pior aniversário da minha vida, e isso não seria possível se meus melhores amigos não tivessem deixado de vir, e eu estou aqui, uma é a dona da casa, a outra é minha namorada, Samory veio porque quer pegar Mariana, e essa outra garota eu vi uma vez na vida e eu nem sei o que ela tá fazendo aqui..." Foi o mais próximo que fiquei de uma expressão de serenidade.


Samory tava se divertindo bastante...


Samory tava gostando mesmo, e olha que nem álcool tinha... ARROCHA SAMORY!

Friday, May 08, 2009

O dia em que decidi ouvir Bach

Pensando um pouco, me passou ouvir algo realmente denso.
Aquela fome e aquela sede que só um Bach bem tocado poderia matar.

E então veio a dúvida, mas o que ouvir? Sonatas e Partitas para violino solo? Sonatas para clavier e violino? Não... Queria algo ainda mais denso. Me restou duas opções: A arte da fuga e Uma Oferenda Musical. Decidi pela segunda, recorrendo às minhas duas gravações preferidas, uma com órgão e outra com cravo. A com órgão é interessantíssima, mas o intérprete se arrisca bem pouco. Queria ouvir aquela outra gravação que ouvi poucas vezes, talvez duas e há mais de um ano.
Aquela em que o intérprete é de fato um intérprete. Lembrava de ter achado interessantíssimo a maneira como ele manipulava o tempo, de forma tão musical, quase imperceptível, mas que coloria toda a música.

Acho que cheguei na parte mais densa de todo o meu acervo, Musikalisches Opfer com Gustav Leonhardt.

O que não fazia ideia era do efeito colateral...

Tudo corria tão interessante, tão gracioso, com ornamentação realmente refinada. E continuo a ouvir, e de repente começo a sentir algo estranho no peito, e cada vez mais forte, e me sinto cada vez menor, e menor, ao ponto que já não era mais capaz de desligar a música. Fiquei alí na minha impotência diante de uma tortura sacralizada, da qual não conseguia me livrar.

Não sabia se aquilo era bom ou ruim, só sei que não conseguia pensar em outra coisa se não ouvir até o final sem nem lembrar de respirar, completamente arrebatado pela pura arte bachiana.

E a sensação de pó sub-humano tomou conta de mim de uma forma que já sentia vontade de rir pensando: Como isso está acontecendo? Por que estou com essa cara de garoto órfão em dia de natal?

Não sei, só sei que continuo a ouvir toda essa incrível obra, nessa sensação de dejeto.

Comecei a pensar, o que é que esse cara tinha?
Como alguém humano, consegue fazer com que eu sinta isso?
E lembrei da concepção generalizada de Bach no meio artístico: "Revelação musical da onipotência divina".

Já vi até ateus dizerem isso: Se existe um Deus, Ele está presente na música de Bach.
E está mesmo.

Comecei a pensar novamente. Bach é conhecido por ter uma das produções mais vastas da música, sem contar com o triste fato que só conhecemos cerca da metade dela, sendo a outra metade de sua obra perdida no período em que Bach caiu em esquecimento.

Mas isso não quer dizer nada. Me bastava apenas ouvir esta gravação da oferenda musical, mesmo que fosse a única obra deste incrível compositor. E o nome não poderia ser melhor. Uma oferenda musical... Uma oferenda divina em que as migalhas caíram para nós nos envolvermos nessa incrível manifestação da arte pura e genial.

A obra de Bach foi fundamental na minha escolha por essa vida de músico e me mostrou que valeria a pena, não importasse o custo.

E penso, de onde veio toda essa genialidade?
Lembro-me de uma aula incrível com um professor tão incrível quanto, queridíssimo professor de harmonia Flávio Queiroz, que apesar de ter me reprovado (com toda a razão), deixando claro que não aprendi muito de harmonia o que não me deixa tantas mágoas, afinal aprendi muito, mas muito sobre aspectos que considerei mais importantes para a minha formação naquele momento, bebendo do conhecimento desse professor que estimo tanto.
Flávio depois de nos emocionar com uma audição de Bach falou:
"Como é possível? Ora, Bach deixava claro, escrevia Soli Deo Gloria (somente para a glória de Deus) em boa parte das suas obras, não escrevia para homens, mas para Deus. Ora! Para agradar a Deus não há limites, a produção poderia ser sempre melhor."

Como considerar ateu alguém que diz tal coisa? Lembro dele relatando sua crença em outra aula: Já me dediquei a várias crenças, já fui ateu, já não fui, e hoje eu decidi que já não sei mais se existe um Deus e se existir, enfim...

Pois é. Se existir, Ele é descrito em toda a obra de Bach.

Só isso explica o meu sentimento de inferioridade ao ouvir essa música incrível.
E não falo isso como músico, ora como músico, ao ouvir tudo isso, já não posso mais me considerar músico, muito menos estudante de tal ciência.

Mas como humano.
Adapto aqui as palavras de meu querido professor:
Se o sou realmente [humano], já não me importa mais tanto assim.

E somente mais uma última reflexão baseada nas palavras inspiradoras daquela aula, da qual a única coisa que me recordo foi tal afirmação:
"Ora! Para agradar a Deus não há limites."

Se os seres humanos tentassem agradar a Deus, escrevessem em sua vida Soli Deo Glória...
Ahhh, como seria incrível e fascinante estar entre humanos.
Seria com certeza o maior dos orgulhos, ter nascido humano. Um nascimento e entraríamos para os livros de história.
Que o exemplo de Bach continue a ecoar por toda a eternidade.

Soli Deo Gloria.


"Ora! Para agradar a Deus não há limites."


Link para ouvir a tal gravação, completa:
http://www.mediafire.com/file/yyzm0vihzke/Bach_Oferenda Musical_Leonhardt.zip

Tuesday, March 24, 2009

Sobre o que escrever?

Acordei com uma estranha vontade de escrever, mas sobre o que?
Percebi que na maioria das vezes escrevia um ocorrido, quase como uma crônica...
Sinto saudades de escrever, mas não consigo encontrar sobre o que escrever, cheguei a uma conclusão... Fiquei chato.

Será que é o amadurecimento?

É realmente assustador pensar assim...
Por que não escrever sobre isso?

Bem... Estas férias foram especialmente diferente, viajei no carnaval para um retiro espiritual, que apesar de ter sido muito bom, penso que poderia ter aproveitado para ter tido uma experiência com Deus mais forte... Experiência esta que Deus aproveitou para fazer comigo, pela primeira vez em plena atividade.

Sempre tive um histórico de uma proximidade maior com Deus durante as férias, mas de alguma forma Deus começa a me buscar de uma forma bem incisiva, em pleno 5º semestre de faculdade.

E acho que este fato tem muito a ver com o tópico de hoje.
Amadurecimento.

Pela primeira vez vejo um namoro (não ju, não é só um namoro, como qualquer outro, antes que você me olhe com aquela carinha de órfã faminta) dando realmente certo... Estamos crescendo juntos, em todas as áreas importantes da vida, saúde física, mental, intelectual e espiritual.

Estou numa fase que posso dizer que pela primeira vez não estou insatisfeito com as coisas...

Parece que alcancei uma estabilidade maior, e a palavra "equilíbrio" tem um sentido maior e mais presente na minha vida.

Larguei aquelas besteiras de ser o melhor nas coisas (obviamente que não alcancei o êxito nisso), de imaginar um futuro inalcançável, com muito dinheiro e coisas luxuosas, percebi que isso não é pra mim, percebi que não preciso destas coisas...

Percebi que me sinto muito melhor hoje, sem ter nada destas coisas...
Posso dizer que estou amadurecendo, e estou conseguindo fazer isso sem me tornar adulto (pejorativamente)... Apesar de eu não ter histórias pra contar, posso dizer que a vida tem sido muito divertida...

Percebi em como as coisas parecem tão diferentes...
Como se eu tivesse feito uma viagem de anos e agora volto para o local de origem, com uma percepção diferente.

Mas não houve viagem alguma, somente alguns fatos antigos, (alguns nem tanto, como a volta às aulas) que se repetem agora, e já tenho uma idéia tão diferente sobre eles...

Como agora vejo o violino de uma forma diferente, como agora ouço música de uma forma diferente, leio a Bíblia de uma forma diferente, como me vejo de uma forma tão diferente, e logo, faço música, falo, escrevo de uma forma diferente.... E posso falar que faço tudo isso de uma forma melhor. Deve ser o tal amadurecimento.

Mudamos o tempo todo, mas algumas vezes são verdadeiras rupturas... É exatamente o que posso dizer deste momento histórico da minha vida... Estou vivendo um pós-ruptura muito interessante, e que promete muita coisa.

Piadas que antes achava engraçadas já não parecem tão divertidas. Piadas que achava sem graça, hoje não consigo segurar o riso (como em desenhos infantis, que hoje são muito mais engraçados do que antes, neste ponto acho que regredi). Músicas que antes achava um tanto quanto estranhas e feias, hoje mexem comigo de uma forma peculiar, já outras que antes eram tão fascinantes para mim, hoje já são um tanto quanto simplórias (o que em nada tem a ver com "simples"), quase banais...

Pessoas que antes não dava muita importância, hoje eu as vejo com uma importância especial. Comportamentos que antes eu era o primeiro a criticar e julgar, hoje vejo de uma forma mais pacífica e tolerante...

Talvez essa seja a tal transformação que tanto falam. Não sei se é um processo natural a todos, ou se é uma opção de alguns, ou até fica ao acaso, ocorrendo de forma espontânea para uns e outros... Não sei, só sei que aconteceu comigo, e me fez muito bem.

A verdade é que me sinto mais em paz comigo mesmo, sinto uma transformação muito forte acontecendo aqui dentro, e já vejo que o resultado será ótimo, espero saber usar este resultado no meu compromisso de "boa pessoa" extendendo estas melhoras aos outros e não só a mim. A verdade é que, querendo ou não, sempre estaremos nos extendendo para os outros, influenciando, sendo influenciados, cabe a nós (ou daquilo que nos alimentamos) decidir se será uma influência boa ou ruim.

Este início de ano letivo tem sido bem diferente, quase estranho, o que passa bem longe de ruim.

É... Um post reflexivo (chato), era o que precisava para confirmar toda essa adultice velada (ou não)... A verdade é que talvez eu esteja em um dia reflexivo (ou talvez eu esteja ouvindo Bach demais).

Não quero me delongar, confesso que me delicio em escrever na minha função comunal de palhaço, o que neste caso não está acontecendo. Fica para outra hora.

Tuesday, September 09, 2008

Considerações: Por que não comprar produtos desconhecidos pela internet?

Depois daquele texto que explicava o porquê da minha impulsividade adolescente feita pela minha querida amiga Elaine, tudo ficou mais fácil de ser compreendido.
rãoriaoeioaieroaieoraireaõrei

Mas se não fosse assim, não haveriam histórias para contar.

Mas por que escrever em um blog? Pensava nisso enquanto voltava para casa... Por que as pessoas escrevem? Ok, além de toda a utilidade da escrita de registro histórico e suporte de comunicação... Há uma outra coisa por trás, talvez até mais importante do que estas que fizeram da escrita uma forma de expressão única... Que interesse haveria em registrar historicamente um fato banal como o que será relatado agora? Que interesse em utilizar isto como comunicação? Nenhum...

Dentro destas questões entrei na minha costumeira reflexão.
Resultado: Escrevemos na maioria das vezes quando há interesse forte em externar uma história, uma sensação, um sentimento, uma vontade, e não há com quem dividí-la... Logo, fazemos isto conosco, mas não da forma super fragmentada através do pensamento, mas sim de forma organizada através de uma linha de raciocínio contínuo que liga a primeira palavra até a última do texto, mantendo uma lógica entre os acontecimentos, por mais ilógicos que estes sejam, como realmente serão.

Então... VIVA A FALTA DE DIÁLOGO! E aqui estou...

Tudo começou quando meu fogo no rabo instinto adolescente me levou a achar que as coisas não eram divertidas e interessante o suficiente como são, e então, por que não fazer algumas pequenas mudanças?

Bem... Eu tenho uma maravilhosa impressora Lexmark z647, talvez nem tão maravilhosa, mas satisfatória, mas eu quero imprimir, imprimir, imprimir, imprimir...
Até que então penso: Tenho que otimizar meu consumo de tinta. Preciso de uma alternativa mais econômica!

Genial!
Nessas horas penso... Não sou tão burro, mas não... Deixa ele só continuar que pronto, começa a aparecer um pouco daquilo que motiva alguém a ler um texto deste até o final...

Então logo penso: Por que não uma impressora matricial?
E agora, depois da idéia maluca, vem a justificação louca lógico-científica.

Sim! Ela imprime cerca de 500 folhas por refil, e o refil custa apenas 5 reais.
Ao passo que uma jato de tinta imprime cerca de 200 folhas por cartucho, que custa cerca de 50 reais.

Claro, logo me vanglorio de ser mais esperto que o mercado, de descobrir uma alternativa muito mais inteligente e econômica!

Claro, então procuro uma mais baratinha e de preferência na Bahia, encontrei!
Marco o encontro e vou todo feliz pagar MINHA IMPRESSORA MATRICIAL!!! (ahhh, como gosto de ser excêntrico diferente... tô adorando usar esse rasurado hoje, né?).

Então vou lá para pegar, e ele se oferece para testá-la na minha frente, não fosse isso, tudo poderia ser diferente...

Então vamos lá, ele abre o pacoto e vejo uma monstruosidade amarelada, feia, QUADRADA!!!!!, e com quase que um sorrisinho cínico de canto de boca, perto daquelas letras que diziam EPSON LX810.



Ok, para uma primeira impressão (sacou o trocadilho? entendeu, entendeu?), não era aquilo que esperava, tá bom... Mas não queria julgá-la pela aparência, se fizer o trabalho bem feito, por que não manter um sorriso no rosto?

Então começamos o teste...
Primeira folha... Começa a impressão.
E vejo que a começar a imprimir começa um som... algo como poderia dizer... Não era tão agressivo, era quase sutil... sutilmente ensurdecedor, mas não perdia sua elegância... Naquele momento pensei que poderia tentar composições contemporâneas para violino en scordatura impressora matricial e televisão chiando. Ah se eu tivesse uma torradeira...

Mas logo me concentrei novamente em... Imprimir, imprimir, imprimir...
Logo vi que suportaria aquele barulho, ou achava que suportaria... Então continuamos com os testes... Após os 2 minutos para imprimir uma folha com 3 palavras, já percebia que não conversávamos, mas gritávamos pacificamente um para o outro, conduzindo para a próxima parte do teste.

Continuamos...
Terminamos os testes com o papel contínuo, então quis testar o papel avulso para ver se estava funcionando bem, afinal era o que mais usaria.

Então continuamos. E se colocou o papel e imprimiu perfeitamente após uma pequena guerra nuclear. Então berrei: QUERIA VER IMPRIMIR DUAS FOLHAS DE VEZ!
E ele: TÁ BOM!!!!

Aí partimos para a violência com a coitada... Ao terminar de imprimir a primeira folha, vi que ele então colocou a segunda.

E eu perguntei: POR QUE NÃO DEIXA AS FOLHAS NO SUPORTE???
E ele: VAMOS TESTAR!!!

E lá vamos... Quando ela engoliu as três folhas de vez.
Neste momento, as coisas já não eram tão engraçadas... Me vi passando horas para imprimir um trabalho, página por página, 2 a 3 minutos para cada página, tendo como único entretenimento aquele pequeno caos mecânico-operístico contemporâneo...

Naquele momento, nos 4 minutos seguintes em que imprimia, já começava a pensar quanto eu conseguiria por aquela geringonça em uma futura venda...
"Tá bom que já tinha algo como uns 10 anos de uso, mas acho que ela ficaria tranquilamente na seção de semi-novos sem ser desmascarada... Só precisaria comprar a manopla que se perdeu, trocar a proteção que havia quebrado, passar umas 10 doses de álcool isopropílico, até que o produto fique quase-limpo (de amarelo para bege), além de altamente inflamável... Não... Há limites para a forçação de barra..."

E continuava a pensar em alguma saída... Quando desisto, me rendo... E falo, ok...
Afinal, já tinha dado o lance, já tinha feito a compra, só faltava pagar e levar o produto.

E lá vou eu tirando o dinheiro do bolso, quando vejo que ele não colocou o cabo de dados no pacote.
E perguntei: E o cabo de dados? (neste momento já havíamos nos acustamado um pouco com o silêncio e falávamos como pessoas normais, com ainda alguns lapsos bérricos)
E ele como que fosse desmascarado fala: Putz, realmente! Esqueci de ver isto!
Logo vi que o cabo de dados que ele usou não estava incluso.

Ele me informou que poderia pegar o cabo de dados em outro lugar, mas que eu poderia levar a impressora.

Então disse que eu só levaria a impressora com o cabo de dados, afinal, não encontraria para comprar fácil um cabo paralelo (viva a antiguidade!).

Então, em um pequeno lapso de genialidade (de vez enquanto volta...) digo que voltaria para pegar a impressora e pagar, quando estivesse com o cabo.

Saio daquele show de horrores ainda em choque, descendo as escadas lentamente, caminhando e pensativo... E quando passo pelo portão e vejo que não há mais visão de nenhuma janela, devido a um muro próximo, dou uma risada que saiu um pouco mais exagerada que imaginava ao se libertar... Risada essa que queria soltar todo o tempo daquela demonstração horripilante, uma risada nervosa, uma risada de medo e pavor...
E o momento divertido, só passava quando lembrava do dinheiro que deveria pagar.

Mas agora estava a salvo, no meu bolso, longe daquela máquina de lavar gigante que imprime.

Desconfiado, saí andando em labirinto para despistá-lo... Nunca se sabe, vai que aquele vendedor resolve me seguir para vir trazer o produto na minha casa... E então dando voltas e voltas, julgo ser seguro para voltar para casa... Ainda não estou totalmente tranqüilo...

Agora só preciso dar um jeito de despistá-lo para o resto da minha vida... Mudar o número de celular, o e-mail... Nome, sobrenome, estas coisas...

Como toda experiência, há aprendizado (e considerações inúteis).
  1. Cuidado com vendedores que te recebem com cara de: "Tem certeza do que está fazendo?"
  2. Cuidado quando durante a demonstração do produto há pequenas risadinhas de ambas as partes.
  3. Ou aquele vendedor é realmente muito simpático, ou ele estava se segurando para se acabar de rir. E vejo que o mesmo vale para mim.
  4. Se isso acontecer com você, não tenha medo de falar que se decepcionou com o produto, e caso haja uma comissão já estabelecida, aceite pagá-la como desculpas e anime-o dizendo que irá vender rapidamente para alguém que se enquadre mais no perfil do usuário de uma impressora matricial.
  5. Ás vezes a modernidade acerta, confie nela (já deveria ter aprendido essa quando tentei comprar uma pedrebike Monark Barra Circular).
  6. Produtos com mais de 10 anos de uso, não passam tranqüilamente por semi-novos...
  7. Tenha sempre uma boa desculpa (às vezes um pequeno "acho que minha mãe está me chamando" funciona) para conseguir sair da casa do vendedor e então passar um e-mail após um certo tempo (para pensar numa desculpa melhor) esclarecendo a problemática...
  8. Antes de fazer algo realmente diferente, saiba exatamente o que está fazendo... Principalmente quando todo mundo dá gargalhadas risadinhas (como as que dei) quando eu contava da minha nova aquisição...
  9. Apesar do som estridente, se bem combinado, poderia ser realmente algo bem estranho musical.
  10. Ser uma pessoa um pouco excêntrica é realmente divertido.