Thursday, April 07, 2011

Estranho… Ou sou eu?

Se tem um assunto que não me lembro de ter escrito por vontade própria foi política internacional. Apesar de eu gostar bastante, minhas idéias nunca foram muito bem aceitas, principalmente por serem meio fora do comum, típicas de quem não vê muito jornal e só ouve falar das coisas e constrói sua própria idéia. Pode soar um pouco conspiracionista, mas isso acabou me dando uma idéia de mundo realmente diferente do que se costuma ouvir em frente a tv.

Gostaria de falar do que ocorreu hoje. Acho que todos já sabem do que ocorreu nesta manhã em Realengo, Rio de Janeiro, quando um atirador invadiu uma escola se disfarçando de palestrante e assassinou 13 pessoas, contando com ele mesmo, ao menos até agora, havendo mais vítimas em estado grave. Até aí todo mundo leu ou viu no jornal.

Ao ver isso, eu só pensei numa coisa: “E dizem que o terrorismo é árabe… Isso é terrorismo”. Confesso que calei-me quando ouvi que provavelmente o assassino tivesse ligações com o Islamismo fundamentalista. Mas algo ficava na minha cabeça… “SERÁ?”

Então fui ver as manchetes e me deparei com esta.

muçulmano

Inconformado, continuei minha pesquisa, aquilo não fazia sentido para mim. E fui encontrando idéias próximas da primeira:

Rede Dia - Bahia - Realengo Coronel atribui ataque a fundamentalista - Google Chrome

Rio atirador em escola deixou carta 'fundamentalista', diz PM - Google Chrome

Mas acessando outras matérias, comecei a ver que aos poucos que a imprensa ia enfraquecendo esta idéia, nas matérias seguintes…

Até que me deparei com isso…

acessava sites

Confesso que foi revoltante ver como a imprensa consegue torcer as coisas ao modo como ela quer… Ele já não era mais muçulmano, ele ACESSAVA sites islâmicos na internet.

Até então eu ainda estava em dúvida, até ver a carta:

carta

Tá. Agora vamos analisar a situação.

Alguém entra numa escola que já havia estudado no passado e assassina crianças inocentes friamente e então se mata. Na carta ele descreve que quer ser enterrado segundo o ritual islâmico. A mesma carta que diz que ele aguarda a volta de Cristo. Isso é importante, não que os muçulmanos não acreditem que Jesus voltará, mas sem dúvida, o evento mais esperado para os muçulmanos é o “aparecimento de Imam Mahdi”, o que esclarece que as idéias contidas na carta não eram de todo islâmicas, se tratando de alguém que muito provavelmente não tenha tanta proximidade com a religião.

Ao fim da chacina, é descoberto que o atirador é portador do HIV.

Agora, por que estou escrevendo isso? O que quero é deixar bem claro que isso significa muito mais do que imaginamos.

Barack Obama visita o Brasil pela primeira vez. Passado menos de um mês, a revista Veja solta uma matéria falando sobre o terrorismo, e quando eu achava que iria falar sobre as organizações criminosas, traficantes, PCC, Comando Vermelho… Não, ela fala sobre muçulmanos no Brasil com ligações estreitas com os países árabes... Na mesma semana, acontece um atentado fruto da insanidade individual de alguém (o que convenhamos não ser tão raro no nosso país), e então isso é tido como uma ação fundamentalista.

Por sua vez, outros sites publicam matérias como: “Muçulmano invade escola.” e “Atentado fundamentalista”.

Não quero ser conspiracionista, mas tudo isso me parece uma forma de usar tragédias na intensão de defender um posicionamento político. Qual o interesse em taxar alguém emocionalmente perturbado de muçulmano fundamentalista? O que isso significa para os eventos futuros no Brasil?

Semana que vem a Veja deve reforçar sua idéia usando este caso. Confesso que nessa transição de governo, tive medo de haver um rompimento com os Estados Unidos e um abraço à Venezuela e Bolívia, mas o que vejo é o início de uma lavagem cerebral conduzida pelos princípios imperialistas. O que me incomoda é que está sendo feito exatamente o que foi feito nos Estados Unidos: A criação de uma sensação de terror eminente invisível.

O terror existe, mas os seus principais expoentes nitidamente não são lunáticos que acessam sites islâmicos, estes talvez sejam a conseqüência do terror já corriqueiro no Brasil.

Os atentados fundamentalistas em quase sua totalidade têm intenção de atacar órgãos públicos e que desmantelem a economia (norte americana), principalmente no tocante ao petróleo. Tal fundamentalismo está totalmente conectado não com um ideal religioso, mas sim econômico, vindos das ditaduras árabes, países estes que têm sido afligidos com ataques desproporcionais pelos Estados Unidos em busca de petróleo. Os ataques fundamentalistas vêm como uma forma de enfraquecimento de um inimigo, conseguindo voluntários pela via da fé cega de alguns fiéis.

Ser terrorista não tem nada a ver com ser muçulmano. É fato que o fundamentalismo árabe é um exponencial quanto ao terror organizado, mas a fé só foi a fachada e o modo pelo qual se lavou a mente de seus guerrilheiros. Já em outras organizações não-árabes, se usa drogas, poder, mas principalmente, dinheiro (que é talvez a religião mais forte no atual mundo ocidental).

Isso deve ser explicado. Os muçulmanos condenam o assassinato de inocentes, a única causa para os ataques é a percepção do cidadão americano como inimigo, ou como uma morte necessária para que ocorra um bem maior (destruição de navios petroleiros, bem como a de setores de concentrada administração financeira nacional). Devo ressaltar que não concordo com estas idéias, mas que as mesmas devem ser levadas em conta antes de fazermos um julgamento injusto, preconceituoso com uma fé ou nação.

Não há ninguém certo nesta briga, mas devemos entender que até então, o Brasil não entrou nela, não diretamente. Poderíamos encarar esse atentado como fruto de um fundamentalista islâmico, se o mesmo destruísse alguma sede da Petrobrás, ou melhor, o prédio do congresso nacional (o que pouca gente ia sentir falta).

Escrevo na eminência de alertar em caso de alguma mudança forçada no panorama nacional, criando uma sensação xenofóbica aos árabes, até agora injustificável em nosso país.

Tal situação seria justificável apenas pelo oportunismo, o que delinea claramente quais serão as novas políticas brasileiras. Espero não cairmos na alienação e ufanismo americano, junto ao ódio ao oriente. Devendo lembrar também como o 11 de setembro foi utilizado na época para iniciar a incitação do sentimento de terror que levou à invasão massiva ao Iraque (que já sofria ataques esporádicos pelos Estados Unidos desde o governo Clinton), que até hoje não há explicação oficial sobre o que levaria à destruição de Bagdá e ocupação americana nesta, além da busca de armas de destruição em massa, ainda não encontradas nestes mais de 8 anos de ocupação e destruição massiva do território Iraquiano.

Gostaria de ressaltar mais uma vez o quão frustrante seria perceber que meu país se utilizou de uma oportunidade como essa para se posicionar ao favor dos Estados Unidos nessa tal guerra contra o terror, além de imoral, se torna extremamente desrespeitoso para com as vítimas dessa tragédia. Trata-se o cúmulo do desrespeito ao próximo, criar uma causa que não a real para sua morte, a saber, a falta de uma estrutura social que saiba lidar, amenize ou direcione o desejo inconseqüente de um lunático com traumas escolares. O sistema está enlouquecendo os seus integrantes.

Pior do que isso será ver o governo tomando atitudes altamente dispendiosas contra o terror árabe, quando a nossa guerra civil do crime organizado já se tornou comum. Quero saber quantas menções ao fundamentalismo vou ouvir nesta semana em comparação às menções à pratica do costumeiro crime organizado brasileiro, e qual será mais freqüente de fato.

Encerro este artigo com a carta da Federação das Associações Muçulmanas sobre o trágico ocorrido, em link abaixo.

http://www.estimulanet.com/2011/04/nota-da-comunidade-islamica-sobre-o.html

PS.: O texto acima será revisado e totalmente sujeito à alteração.

PS2.: Não tenho, nem nunca tive qualquer envolvimento com a religião muçulmana, mas isso não me impede de ser totalmente à favor da liberdade religiosa e do não julgamento de indivíduos baseado em sua religião.

8 comentários:

Mariana said...

Ótimo texto, Felipe... Percebendo o que 99% das pessoas não vão perceber.
Melhor não assistir TV mesmo, pra não ter que conviver uns 2 meses com as notícias distorcidas do caso.

Mariana said...

Ps: Você devia aproveitar que não precisa mais de diploma pra ser jornalista. he

COXA BRANCA longe de casa. said...

Acompanho a Mariana, pena que temos que matar um Leão por dia e noticiar os "espertos e sem vergonha na cara" aumentarem seus salários em 62%, enquanto nós e a maioria da população ficamos com as migalhas.

Quanto ao texto, sou suspeito em falar, afinal, qualquer elogio seria um ato de auto vangloriar-me.
Um pouco longo, mas bastante elucidativo.

Parabéns!!!

Anonymous said...

um muculmano com certeza tu és...me ajuda aí....terrorismo=guerra santa=matar inocentes=artigo 121 do codigo penal=ato brutal seja qual for a porcaria do motivo..pra mim é fundamentalismo..até porque as grandes midias não estão divulgando isso...o globo ta na mao do governo, pruquê ela não falou isso?!
porque não tem isso de conspiração politica..tu ta vijando...valeu...ate mais..

Anonymous said...

E AINDA APARECE UNN IDIOTAS QUE JULGAM OS OUTROS:MARIANA Ótimo texto, Felipe... Percebendo o que 99% das pessoas não vão perceber.
Melhor não assistir TV mesmo, pra não ter que conviver uns 2 meses com as notícias distorcidas do caso.


VAI, PARA DE USAR A INTERNET TAMBÉM...ALIENA DO MUNDO..VAI MORAR NA MATA AMAZONICA..LA NÃO TEM NADA DISSO...RSRSRSRSR

Anonymous said...

não postem resposta que eu não vou voltar aqui de novo..é inutil...

Marcos Felipe Harder Annunziato said...

Eu hein...

Mariana said...

Hahaha. Uma pessoa revoltada!

Oi, tudo bem? Eu sou a Mariana, prazer. :P