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Mas se não fosse assim, não haveriam histórias para contar.
Mas por que escrever em um blog? Pensava nisso enquanto voltava para casa... Por que as pessoas escrevem? Ok, além de toda a utilidade da escrita de registro histórico e suporte de comunicação... Há uma outra coisa por trás, talvez até mais importante do que estas que fizeram da escrita uma forma de expressão única... Que interesse haveria em registrar historicamente um fato banal como o que será relatado agora? Que interesse em utilizar isto como comunicação? Nenhum...
Dentro destas questões entrei na minha costumeira reflexão.
Resultado: Escrevemos na maioria das vezes quando há interesse forte em externar uma história, uma sensação, um sentimento, uma vontade, e não há com quem dividí-la... Logo, fazemos isto conosco, mas não da forma super fragmentada através do pensamento, mas sim de forma organizada através de uma linha de raciocínio contínuo que liga a primeira palavra até a última do texto, mantendo uma lógica entre os acontecimentos, por mais ilógicos que estes sejam, como realmente serão.
Então... VIVA A FALTA DE DIÁLOGO! E aqui estou...
Tudo começou quando meu
Bem... Eu tenho uma maravilhosa impressora Lexmark z647, talvez nem tão maravilhosa, mas satisfatória, mas eu quero imprimir, imprimir, imprimir, imprimir...
Até que então penso: Tenho que otimizar meu consumo de tinta. Preciso de uma alternativa mais econômica!
Genial!
Nessas horas penso... Não sou tão burro, mas não... Deixa ele só continuar que pronto, começa a aparecer um pouco daquilo que motiva alguém a ler um texto deste até o final...
Então logo penso: Por que não uma impressora matricial?
E agora, depois da idéia maluca, vem a justificação
Sim! Ela imprime cerca de 500 folhas por refil, e o refil custa apenas 5 reais.
Ao passo que uma jato de tinta imprime cerca de 200 folhas por cartucho, que custa cerca de 50 reais.
Claro, logo me vanglorio de ser mais esperto que o mercado, de descobrir uma alternativa muito mais inteligente e econômica!
Claro, então procuro uma mais baratinha e de preferência na Bahia, encontrei!
Marco o encontro e vou todo feliz pagar MINHA IMPRESSORA MATRICIAL!!! (ahhh, como gosto de ser
Então vou lá para pegar, e ele se oferece para testá-la na minha frente, não fosse isso, tudo poderia ser diferente...
Então vamos lá, ele abre o pacoto e vejo uma monstruosidade amarelada, feia, QUADRADA!!!!!, e com quase que um sorrisinho cínico de canto de boca, perto daquelas letras que diziam EPSON LX810.

Ok, para uma primeira impressão (sacou o trocadilho? entendeu, entendeu?), não era aquilo que esperava, tá bom... Mas não queria julgá-la pela aparência, se fizer o trabalho bem feito, por que não manter um sorriso no rosto?
Então começamos o teste...
Primeira folha... Começa a impressão.
E vejo que a começar a imprimir começa um som... algo como poderia dizer... Não era tão agressivo, era quase sutil... sutilmente ensurdecedor, mas não perdia sua elegância... Naquele momento pensei que poderia tentar composições contemporâneas para violino en scordatura impressora matricial e televisão chiando. Ah se eu tivesse uma torradeira...
Mas logo me concentrei novamente em... Imprimir, imprimir, imprimir...
Logo vi que suportaria aquele barulho, ou achava que suportaria... Então continuamos com os testes... Após os 2 minutos para imprimir uma folha com 3 palavras, já percebia que não conversávamos, mas gritávamos pacificamente um para o outro, conduzindo para a próxima parte do teste.
Continuamos...
Terminamos os testes com o papel contínuo, então quis testar o papel avulso para ver se estava funcionando bem, afinal era o que mais usaria.
Então continuamos. E se colocou o papel e imprimiu perfeitamente após uma pequena guerra nuclear. Então berrei: QUERIA VER IMPRIMIR DUAS FOLHAS DE VEZ!
E ele: TÁ BOM!!!!
Aí partimos para a violência com a coitada... Ao terminar de imprimir a primeira folha, vi que ele então colocou a segunda.
E eu perguntei: POR QUE NÃO DEIXA AS FOLHAS NO SUPORTE???
E ele: VAMOS TESTAR!!!
E lá vamos... Quando ela engoliu as três folhas de vez.
Neste momento, as coisas já não eram tão engraçadas... Me vi passando horas para imprimir um trabalho, página por página, 2 a 3 minutos para cada página, tendo como único entretenimento aquele pequeno caos mecânico-operístico contemporâneo...
Naquele momento, nos 4 minutos seguintes em que imprimia, já começava a pensar quanto eu conseguiria por aquela geringonça em uma futura venda...
"Tá bom que já tinha algo como uns 10 anos de uso, mas acho que ela ficaria tranquilamente na seção de semi-novos sem ser desmascarada... Só precisaria comprar a manopla que se perdeu, trocar a proteção que havia quebrado, passar umas 10 doses de álcool isopropílico, até que o produto fique quase-limpo (de amarelo para bege), além de altamente inflamável... Não... Há limites para a forçação de barra..."
E continuava a pensar em alguma saída... Quando desisto, me rendo... E falo, ok...
Afinal, já tinha dado o lance, já tinha feito a compra, só faltava pagar e levar o produto.
E lá vou eu tirando o dinheiro do bolso, quando vejo que ele não colocou o cabo de dados no pacote.
E perguntei: E o cabo de dados? (neste momento já havíamos nos acustamado um pouco com o silêncio e falávamos como pessoas normais, com ainda alguns lapsos bérricos)
E ele como que fosse desmascarado fala: Putz, realmente! Esqueci de ver isto!
Logo vi que o cabo de dados que ele usou não estava incluso.
Ele me informou que poderia pegar o cabo de dados em outro lugar, mas que eu poderia levar a impressora.
Então disse que eu só levaria a impressora com o cabo de dados, afinal, não encontraria para comprar fácil um cabo paralelo (viva a antiguidade!).
Então, em um pequeno lapso de genialidade (de vez enquanto volta...) digo que voltaria para pegar a impressora e pagar, quando estivesse com o cabo.
Saio daquele show de horrores ainda em choque, descendo as escadas lentamente, caminhando e pensativo... E quando passo pelo portão e vejo que não há mais visão de nenhuma janela, devido a um muro próximo, dou uma risada que saiu um pouco mais exagerada que imaginava ao se libertar... Risada essa que queria soltar todo o tempo daquela demonstração horripilante, uma risada nervosa, uma risada de medo e pavor...
E o momento divertido, só passava quando lembrava do dinheiro que deveria pagar.
Mas agora estava a salvo, no meu bolso, longe daquela máquina de lavar gigante que imprime.
Desconfiado, saí andando em labirinto para despistá-lo... Nunca se sabe, vai que aquele vendedor resolve me seguir para vir trazer o produto na minha casa... E então dando voltas e voltas, julgo ser seguro para voltar para casa... Ainda não estou totalmente tranqüilo...
Agora só preciso dar um jeito de despistá-lo para o resto da minha vida... Mudar o número de celular, o e-mail... Nome, sobrenome, estas coisas...
Como toda experiência, há aprendizado (e considerações inúteis).
- Cuidado com vendedores que te recebem com cara de: "Tem certeza do que está fazendo?"
- Cuidado quando durante a demonstração do produto há pequenas risadinhas de ambas as partes.
- Ou aquele vendedor é realmente muito simpático, ou ele estava se segurando para se acabar de rir. E vejo que o mesmo vale para mim.
- Se isso acontecer com você, não tenha medo de falar que se decepcionou com o produto, e caso haja uma comissão já estabelecida, aceite pagá-la como desculpas e anime-o dizendo que irá vender rapidamente para alguém que se enquadre mais no perfil do usuário de uma impressora matricial.
- Ás vezes a modernidade acerta, confie nela (já deveria ter aprendido essa quando tentei comprar uma
pedrebikeMonark Barra Circular). - Produtos com mais de 10 anos de uso, não passam tranqüilamente por semi-novos...
- Tenha sempre uma boa desculpa (às vezes um pequeno "acho que minha mãe está me chamando" funciona) para conseguir sair da casa do vendedor e então passar um e-mail após um certo tempo (para pensar numa desculpa melhor) esclarecendo a problemática...
- Antes de fazer algo realmente diferente, saiba exatamente o que está fazendo... Principalmente quando todo mundo dá
gargalhadasrisadinhas (como as que dei) quando eu contava da minha nova aquisição... - Apesar do som estridente, se bem combinado, poderia ser realmente algo bem
estranhomusical. - Ser uma pessoa um pouco excêntrica é realmente divertido.
