Wednesday, September 30, 2009

O pior aniversário da minha vida...



27/09/2009

"Acorda! Acorda!!! Você tá atrasado!"

Atrasado? Eram 6:30h de domingo!!! E ainda era meu aniversário! Opa, meu aniversário? É... Tinha marcado uma ida ao parque de diversões que estava/está na cidade. Então lá vamos nós, eu, minha irmã e Emerson para o ponto de ônibus. Chegando ao ponto de ônibus, após alguns minutos o meu pára-raio de maluco é fortemente acionado, juntamente com o meu sensor de insanidade. Senti o cheiro da loucura, tão familiar.

Chega uma senhora, boa aparência e me pergunta:
- "Quantos anos você tem?????"
E eu:
- Como assim? O que você quer saber?
- Você tem 25 anos???
- Não, senhora.
- Ahhhh - e saiu.

Por muito pouco não aponto pra Emerson e grito: Mas ele aqui tem!!!
raõreiaeriaieroaireoiaeroiaeroaieroi

Então aconteceu de chegarmos lá, encontrei Ju, e tudo foi muito divertido.
Principalmente o trem do horror... Lembrando que era 9h da manhã. E o sol estava castigando-me por esses 20 anos de existência. Então dava para ver tudo lá dentro, eu gritava sem parar: SOCORRO! MEU DEUS! EU NÃO QUERO MORRER!!!! rãoeraoeiraireãirẽoiaoriaoreioai

Eu tava bem empolgado: Dava pra ver realmente tudo, não tinha nada de assustador, era tão claro quato o meu quarto pela manhã com o "blacaute" na janela... Eu berrava o tempo inteiro! Eu berrava tanto, mas tanto que a voz tava falhando já... E no fim, na chegada, eu com a cara como quem estava em estado de choque, e a fila já tinha ganhado vários adeptos com tantos gritos... E eu chegando: EU NUNCA MAIS VOU NESSE NEGÓCIO! SOCORRO! SOCORRO!!!!

raerãoreareioaieroaieroiarioeoria

Rapaz, só sei que teve gente que foi duas vezes pra ver se encontrava o que eu encontrei lá dentro, raẽroareairoeiaoeriaieroaier... E foi assim o tempo todo, mas estava só começando...
A montanha-russa é horrível, não dá pra entender nada, e de repente eu já estava no looping, sendo jogado pra lá e pra cá... Não dava nem pra sentir medo de tão rápido. Nem um pingo de emoção, só um enjoozinho. Totalmente sem graça. O Ranger praticamente jogou meu cérebro pra fora, e não sei por que... Alguma coisa aconteceu dentro da minha cabeça que eu senti meu cérebro saindo pelo nariz. No carrinho de bate-bate eu tava mais de manobrista, dando voltas desviando de todo mundo de ré, com a típica mãozinha no acento do lado, olhando para trás, manobrando calmamente... rãeoriarieaireoiareoarei

Então resolvemos ir na montanha russa mais uma vez, eu tava indo mais pra ver se eu achava alguma graça, quando fico sabendo que a mesma tinha acabado de quebrar... Ainda bem que eu não estava lá dentro quando isso aconteceu, pensei... E então vamos para a roda gigante... Entramos, e começa a dar a primeira volta, e na segunda... Como explicar? Digamos que lá em cima, ela parou, e digamos que ela não voltou a andar... E como eu imaginava, o parque estava caindo aos pedaços... E ficamos longos e longos minutos lá em cima sem poder fazer nada, a ver o rapaz batendo no controle da máquina e falando: Vamos esperar...

E eu gritando: Reseta!!! SEMPRE FUNCIONA COM MEU COMPUTADOR!!!! (nessas horas você tem que ter bom humor...)

E após algum certo tempo, eu virei pra ju e falei: Em caverna do dragão, é assim que eles morrem, só que tipo, no looping de uma montanha russa. E ficamos lá... De vez em quando eu dava uns berros: SOCOOOOOOOOOORRO! ALGUÉM ME TIRE DAQUI!!! EU VOU ME JOGAR!!!!! O pior é que misteriosamente a roda gigante ia descendo pouco a pouco, coisa bem pouca mesmo, quase imperceptível... e ficávamos cada vez mais próximo, mas não podíamos sair, já que o negócio podia voltar a funcionar a qualquer instante comigo preso nas estruturas dando uma de homem aranha, então resolvi esperar. Até que, volta a funcionar... E saímos... O engraçado é que os outros que estavam lá, não quiseram sair, e continuaram no brinquedo. E ju quando foi sair, quase foi atropelada pelo outro banquinho... O pessoal lá é bem desorganizado.

Pior do que isso, só a quebradeira da lula gigante... Aquele pagode horrível do lobo mau que "vai me comeeeeeeeeeeeeeer" (geeeeeeeeente) misturado com o brinquedo mais idiota do mundo que só gira, gira, gira, até você querer colocar tudo pra fora...

Mas enfim, essa foi a melhor parte do dia.

E como combinado, eu e ju fomos à casa de Mariana. Chegamos lá no horário, e bem, só tinha Mariana na minha super festa. Duas horas depois, quando eu já tinha ido dormir um pouco, chega Samory, o primeiro convidado da festa!!!! Uma hora depois chega carol, a segunda convidada!!!!! E última... O resto desmarcou de última hora ou não compareceu deliberadamente. Maravilha!

Foi a coisa mais deprimente da minha vida, fazer 20 anos, por si só é a coisa mais deprimente que pode acontecer a alguém que estuda violino com a pretensão de ser um profissional, mas chegar lá, não ter ninguém, aquele desanimo nos poucos 2 convidados, comer pizza crua, bolo vegano sem óvos e sem leite, com o parabéns pra você mais deprimente: "Gente pára, esse momento está sendo realmente traumatizante..."

E ainda ver Ju cantando sozinha com aquela cara de sofrimento, de quem deu uma idéia que não foi acolhida: Derrama, Senhor, Derrama, Senhor...
Só não foi mais triste porque foi engraçado... E pra piorar, o único presente que ganhei foi um chutão na canela dado por Mariana, que está roxo até hoje.

Posso dizer com certeza que o ponto alto da festa, além do meu show pirotécnico de incendiar bombril na sala da casa de Mariana, jogando bombril em brasa pela casa toda e deixar tudo pra Mariana arrumar... Com certeza, fora isso, o ponto alto foi eu cacarejar a Ária da Rainha da Noite da ópera o Flautista Mágico (flautiiiiista, né tia Margarida?).

Fora isso, o trem fantasma foi a coisa mais emocionante e memorável do dia...

E agora algumas imagens que tiram a necessidade de todo o texto acima...

Mas quer saber? Apesar de todo o horror, tudo vai ser sempre divertido demais para lamentar! E como a miséria é às vezes tão mais divertida do que a boa vida!


Essa eu tava inspirado... (Atenção especial para os únicos balãozinhos da festa, enxidos enquanto eu dormia... raẽoriaroiaeoriaoreia. Acho que eles até gostam de mim...)


Momento do discurso: "Esse é o pior aniversário da minha vida, e isso não seria possível se meus melhores amigos não tivessem deixado de vir, e eu estou aqui, uma é a dona da casa, a outra é minha namorada, Samory veio porque quer pegar Mariana, e essa outra garota eu vi uma vez na vida e eu nem sei o que ela tá fazendo aqui..." Foi o mais próximo que fiquei de uma expressão de serenidade.


Samory tava se divertindo bastante...


Samory tava gostando mesmo, e olha que nem álcool tinha... ARROCHA SAMORY!

Friday, May 08, 2009

O dia em que decidi ouvir Bach

Pensando um pouco, me passou ouvir algo realmente denso.
Aquela fome e aquela sede que só um Bach bem tocado poderia matar.

E então veio a dúvida, mas o que ouvir? Sonatas e Partitas para violino solo? Sonatas para clavier e violino? Não... Queria algo ainda mais denso. Me restou duas opções: A arte da fuga e Uma Oferenda Musical. Decidi pela segunda, recorrendo às minhas duas gravações preferidas, uma com órgão e outra com cravo. A com órgão é interessantíssima, mas o intérprete se arrisca bem pouco. Queria ouvir aquela outra gravação que ouvi poucas vezes, talvez duas e há mais de um ano.
Aquela em que o intérprete é de fato um intérprete. Lembrava de ter achado interessantíssimo a maneira como ele manipulava o tempo, de forma tão musical, quase imperceptível, mas que coloria toda a música.

Acho que cheguei na parte mais densa de todo o meu acervo, Musikalisches Opfer com Gustav Leonhardt.

O que não fazia ideia era do efeito colateral...

Tudo corria tão interessante, tão gracioso, com ornamentação realmente refinada. E continuo a ouvir, e de repente começo a sentir algo estranho no peito, e cada vez mais forte, e me sinto cada vez menor, e menor, ao ponto que já não era mais capaz de desligar a música. Fiquei alí na minha impotência diante de uma tortura sacralizada, da qual não conseguia me livrar.

Não sabia se aquilo era bom ou ruim, só sei que não conseguia pensar em outra coisa se não ouvir até o final sem nem lembrar de respirar, completamente arrebatado pela pura arte bachiana.

E a sensação de pó sub-humano tomou conta de mim de uma forma que já sentia vontade de rir pensando: Como isso está acontecendo? Por que estou com essa cara de garoto órfão em dia de natal?

Não sei, só sei que continuo a ouvir toda essa incrível obra, nessa sensação de dejeto.

Comecei a pensar, o que é que esse cara tinha?
Como alguém humano, consegue fazer com que eu sinta isso?
E lembrei da concepção generalizada de Bach no meio artístico: "Revelação musical da onipotência divina".

Já vi até ateus dizerem isso: Se existe um Deus, Ele está presente na música de Bach.
E está mesmo.

Comecei a pensar novamente. Bach é conhecido por ter uma das produções mais vastas da música, sem contar com o triste fato que só conhecemos cerca da metade dela, sendo a outra metade de sua obra perdida no período em que Bach caiu em esquecimento.

Mas isso não quer dizer nada. Me bastava apenas ouvir esta gravação da oferenda musical, mesmo que fosse a única obra deste incrível compositor. E o nome não poderia ser melhor. Uma oferenda musical... Uma oferenda divina em que as migalhas caíram para nós nos envolvermos nessa incrível manifestação da arte pura e genial.

A obra de Bach foi fundamental na minha escolha por essa vida de músico e me mostrou que valeria a pena, não importasse o custo.

E penso, de onde veio toda essa genialidade?
Lembro-me de uma aula incrível com um professor tão incrível quanto, queridíssimo professor de harmonia Flávio Queiroz, que apesar de ter me reprovado (com toda a razão), deixando claro que não aprendi muito de harmonia o que não me deixa tantas mágoas, afinal aprendi muito, mas muito sobre aspectos que considerei mais importantes para a minha formação naquele momento, bebendo do conhecimento desse professor que estimo tanto.
Flávio depois de nos emocionar com uma audição de Bach falou:
"Como é possível? Ora, Bach deixava claro, escrevia Soli Deo Gloria (somente para a glória de Deus) em boa parte das suas obras, não escrevia para homens, mas para Deus. Ora! Para agradar a Deus não há limites, a produção poderia ser sempre melhor."

Como considerar ateu alguém que diz tal coisa? Lembro dele relatando sua crença em outra aula: Já me dediquei a várias crenças, já fui ateu, já não fui, e hoje eu decidi que já não sei mais se existe um Deus e se existir, enfim...

Pois é. Se existir, Ele é descrito em toda a obra de Bach.

Só isso explica o meu sentimento de inferioridade ao ouvir essa música incrível.
E não falo isso como músico, ora como músico, ao ouvir tudo isso, já não posso mais me considerar músico, muito menos estudante de tal ciência.

Mas como humano.
Adapto aqui as palavras de meu querido professor:
Se o sou realmente [humano], já não me importa mais tanto assim.

E somente mais uma última reflexão baseada nas palavras inspiradoras daquela aula, da qual a única coisa que me recordo foi tal afirmação:
"Ora! Para agradar a Deus não há limites."

Se os seres humanos tentassem agradar a Deus, escrevessem em sua vida Soli Deo Glória...
Ahhh, como seria incrível e fascinante estar entre humanos.
Seria com certeza o maior dos orgulhos, ter nascido humano. Um nascimento e entraríamos para os livros de história.
Que o exemplo de Bach continue a ecoar por toda a eternidade.

Soli Deo Gloria.


"Ora! Para agradar a Deus não há limites."


Link para ouvir a tal gravação, completa:
http://www.mediafire.com/file/yyzm0vihzke/Bach_Oferenda Musical_Leonhardt.zip

Tuesday, March 24, 2009

Sobre o que escrever?

Acordei com uma estranha vontade de escrever, mas sobre o que?
Percebi que na maioria das vezes escrevia um ocorrido, quase como uma crônica...
Sinto saudades de escrever, mas não consigo encontrar sobre o que escrever, cheguei a uma conclusão... Fiquei chato.

Será que é o amadurecimento?

É realmente assustador pensar assim...
Por que não escrever sobre isso?

Bem... Estas férias foram especialmente diferente, viajei no carnaval para um retiro espiritual, que apesar de ter sido muito bom, penso que poderia ter aproveitado para ter tido uma experiência com Deus mais forte... Experiência esta que Deus aproveitou para fazer comigo, pela primeira vez em plena atividade.

Sempre tive um histórico de uma proximidade maior com Deus durante as férias, mas de alguma forma Deus começa a me buscar de uma forma bem incisiva, em pleno 5º semestre de faculdade.

E acho que este fato tem muito a ver com o tópico de hoje.
Amadurecimento.

Pela primeira vez vejo um namoro (não ju, não é só um namoro, como qualquer outro, antes que você me olhe com aquela carinha de órfã faminta) dando realmente certo... Estamos crescendo juntos, em todas as áreas importantes da vida, saúde física, mental, intelectual e espiritual.

Estou numa fase que posso dizer que pela primeira vez não estou insatisfeito com as coisas...

Parece que alcancei uma estabilidade maior, e a palavra "equilíbrio" tem um sentido maior e mais presente na minha vida.

Larguei aquelas besteiras de ser o melhor nas coisas (obviamente que não alcancei o êxito nisso), de imaginar um futuro inalcançável, com muito dinheiro e coisas luxuosas, percebi que isso não é pra mim, percebi que não preciso destas coisas...

Percebi que me sinto muito melhor hoje, sem ter nada destas coisas...
Posso dizer que estou amadurecendo, e estou conseguindo fazer isso sem me tornar adulto (pejorativamente)... Apesar de eu não ter histórias pra contar, posso dizer que a vida tem sido muito divertida...

Percebi em como as coisas parecem tão diferentes...
Como se eu tivesse feito uma viagem de anos e agora volto para o local de origem, com uma percepção diferente.

Mas não houve viagem alguma, somente alguns fatos antigos, (alguns nem tanto, como a volta às aulas) que se repetem agora, e já tenho uma idéia tão diferente sobre eles...

Como agora vejo o violino de uma forma diferente, como agora ouço música de uma forma diferente, leio a Bíblia de uma forma diferente, como me vejo de uma forma tão diferente, e logo, faço música, falo, escrevo de uma forma diferente.... E posso falar que faço tudo isso de uma forma melhor. Deve ser o tal amadurecimento.

Mudamos o tempo todo, mas algumas vezes são verdadeiras rupturas... É exatamente o que posso dizer deste momento histórico da minha vida... Estou vivendo um pós-ruptura muito interessante, e que promete muita coisa.

Piadas que antes achava engraçadas já não parecem tão divertidas. Piadas que achava sem graça, hoje não consigo segurar o riso (como em desenhos infantis, que hoje são muito mais engraçados do que antes, neste ponto acho que regredi). Músicas que antes achava um tanto quanto estranhas e feias, hoje mexem comigo de uma forma peculiar, já outras que antes eram tão fascinantes para mim, hoje já são um tanto quanto simplórias (o que em nada tem a ver com "simples"), quase banais...

Pessoas que antes não dava muita importância, hoje eu as vejo com uma importância especial. Comportamentos que antes eu era o primeiro a criticar e julgar, hoje vejo de uma forma mais pacífica e tolerante...

Talvez essa seja a tal transformação que tanto falam. Não sei se é um processo natural a todos, ou se é uma opção de alguns, ou até fica ao acaso, ocorrendo de forma espontânea para uns e outros... Não sei, só sei que aconteceu comigo, e me fez muito bem.

A verdade é que me sinto mais em paz comigo mesmo, sinto uma transformação muito forte acontecendo aqui dentro, e já vejo que o resultado será ótimo, espero saber usar este resultado no meu compromisso de "boa pessoa" extendendo estas melhoras aos outros e não só a mim. A verdade é que, querendo ou não, sempre estaremos nos extendendo para os outros, influenciando, sendo influenciados, cabe a nós (ou daquilo que nos alimentamos) decidir se será uma influência boa ou ruim.

Este início de ano letivo tem sido bem diferente, quase estranho, o que passa bem longe de ruim.

É... Um post reflexivo (chato), era o que precisava para confirmar toda essa adultice velada (ou não)... A verdade é que talvez eu esteja em um dia reflexivo (ou talvez eu esteja ouvindo Bach demais).

Não quero me delongar, confesso que me delicio em escrever na minha função comunal de palhaço, o que neste caso não está acontecendo. Fica para outra hora.