Tuesday, September 09, 2008

Considerações: Por que não comprar produtos desconhecidos pela internet?

Depois daquele texto que explicava o porquê da minha impulsividade adolescente feita pela minha querida amiga Elaine, tudo ficou mais fácil de ser compreendido.
rãoriaoeioaieroaieoraireaõrei

Mas se não fosse assim, não haveriam histórias para contar.

Mas por que escrever em um blog? Pensava nisso enquanto voltava para casa... Por que as pessoas escrevem? Ok, além de toda a utilidade da escrita de registro histórico e suporte de comunicação... Há uma outra coisa por trás, talvez até mais importante do que estas que fizeram da escrita uma forma de expressão única... Que interesse haveria em registrar historicamente um fato banal como o que será relatado agora? Que interesse em utilizar isto como comunicação? Nenhum...

Dentro destas questões entrei na minha costumeira reflexão.
Resultado: Escrevemos na maioria das vezes quando há interesse forte em externar uma história, uma sensação, um sentimento, uma vontade, e não há com quem dividí-la... Logo, fazemos isto conosco, mas não da forma super fragmentada através do pensamento, mas sim de forma organizada através de uma linha de raciocínio contínuo que liga a primeira palavra até a última do texto, mantendo uma lógica entre os acontecimentos, por mais ilógicos que estes sejam, como realmente serão.

Então... VIVA A FALTA DE DIÁLOGO! E aqui estou...

Tudo começou quando meu fogo no rabo instinto adolescente me levou a achar que as coisas não eram divertidas e interessante o suficiente como são, e então, por que não fazer algumas pequenas mudanças?

Bem... Eu tenho uma maravilhosa impressora Lexmark z647, talvez nem tão maravilhosa, mas satisfatória, mas eu quero imprimir, imprimir, imprimir, imprimir...
Até que então penso: Tenho que otimizar meu consumo de tinta. Preciso de uma alternativa mais econômica!

Genial!
Nessas horas penso... Não sou tão burro, mas não... Deixa ele só continuar que pronto, começa a aparecer um pouco daquilo que motiva alguém a ler um texto deste até o final...

Então logo penso: Por que não uma impressora matricial?
E agora, depois da idéia maluca, vem a justificação louca lógico-científica.

Sim! Ela imprime cerca de 500 folhas por refil, e o refil custa apenas 5 reais.
Ao passo que uma jato de tinta imprime cerca de 200 folhas por cartucho, que custa cerca de 50 reais.

Claro, logo me vanglorio de ser mais esperto que o mercado, de descobrir uma alternativa muito mais inteligente e econômica!

Claro, então procuro uma mais baratinha e de preferência na Bahia, encontrei!
Marco o encontro e vou todo feliz pagar MINHA IMPRESSORA MATRICIAL!!! (ahhh, como gosto de ser excêntrico diferente... tô adorando usar esse rasurado hoje, né?).

Então vou lá para pegar, e ele se oferece para testá-la na minha frente, não fosse isso, tudo poderia ser diferente...

Então vamos lá, ele abre o pacoto e vejo uma monstruosidade amarelada, feia, QUADRADA!!!!!, e com quase que um sorrisinho cínico de canto de boca, perto daquelas letras que diziam EPSON LX810.



Ok, para uma primeira impressão (sacou o trocadilho? entendeu, entendeu?), não era aquilo que esperava, tá bom... Mas não queria julgá-la pela aparência, se fizer o trabalho bem feito, por que não manter um sorriso no rosto?

Então começamos o teste...
Primeira folha... Começa a impressão.
E vejo que a começar a imprimir começa um som... algo como poderia dizer... Não era tão agressivo, era quase sutil... sutilmente ensurdecedor, mas não perdia sua elegância... Naquele momento pensei que poderia tentar composições contemporâneas para violino en scordatura impressora matricial e televisão chiando. Ah se eu tivesse uma torradeira...

Mas logo me concentrei novamente em... Imprimir, imprimir, imprimir...
Logo vi que suportaria aquele barulho, ou achava que suportaria... Então continuamos com os testes... Após os 2 minutos para imprimir uma folha com 3 palavras, já percebia que não conversávamos, mas gritávamos pacificamente um para o outro, conduzindo para a próxima parte do teste.

Continuamos...
Terminamos os testes com o papel contínuo, então quis testar o papel avulso para ver se estava funcionando bem, afinal era o que mais usaria.

Então continuamos. E se colocou o papel e imprimiu perfeitamente após uma pequena guerra nuclear. Então berrei: QUERIA VER IMPRIMIR DUAS FOLHAS DE VEZ!
E ele: TÁ BOM!!!!

Aí partimos para a violência com a coitada... Ao terminar de imprimir a primeira folha, vi que ele então colocou a segunda.

E eu perguntei: POR QUE NÃO DEIXA AS FOLHAS NO SUPORTE???
E ele: VAMOS TESTAR!!!

E lá vamos... Quando ela engoliu as três folhas de vez.
Neste momento, as coisas já não eram tão engraçadas... Me vi passando horas para imprimir um trabalho, página por página, 2 a 3 minutos para cada página, tendo como único entretenimento aquele pequeno caos mecânico-operístico contemporâneo...

Naquele momento, nos 4 minutos seguintes em que imprimia, já começava a pensar quanto eu conseguiria por aquela geringonça em uma futura venda...
"Tá bom que já tinha algo como uns 10 anos de uso, mas acho que ela ficaria tranquilamente na seção de semi-novos sem ser desmascarada... Só precisaria comprar a manopla que se perdeu, trocar a proteção que havia quebrado, passar umas 10 doses de álcool isopropílico, até que o produto fique quase-limpo (de amarelo para bege), além de altamente inflamável... Não... Há limites para a forçação de barra..."

E continuava a pensar em alguma saída... Quando desisto, me rendo... E falo, ok...
Afinal, já tinha dado o lance, já tinha feito a compra, só faltava pagar e levar o produto.

E lá vou eu tirando o dinheiro do bolso, quando vejo que ele não colocou o cabo de dados no pacote.
E perguntei: E o cabo de dados? (neste momento já havíamos nos acustamado um pouco com o silêncio e falávamos como pessoas normais, com ainda alguns lapsos bérricos)
E ele como que fosse desmascarado fala: Putz, realmente! Esqueci de ver isto!
Logo vi que o cabo de dados que ele usou não estava incluso.

Ele me informou que poderia pegar o cabo de dados em outro lugar, mas que eu poderia levar a impressora.

Então disse que eu só levaria a impressora com o cabo de dados, afinal, não encontraria para comprar fácil um cabo paralelo (viva a antiguidade!).

Então, em um pequeno lapso de genialidade (de vez enquanto volta...) digo que voltaria para pegar a impressora e pagar, quando estivesse com o cabo.

Saio daquele show de horrores ainda em choque, descendo as escadas lentamente, caminhando e pensativo... E quando passo pelo portão e vejo que não há mais visão de nenhuma janela, devido a um muro próximo, dou uma risada que saiu um pouco mais exagerada que imaginava ao se libertar... Risada essa que queria soltar todo o tempo daquela demonstração horripilante, uma risada nervosa, uma risada de medo e pavor...
E o momento divertido, só passava quando lembrava do dinheiro que deveria pagar.

Mas agora estava a salvo, no meu bolso, longe daquela máquina de lavar gigante que imprime.

Desconfiado, saí andando em labirinto para despistá-lo... Nunca se sabe, vai que aquele vendedor resolve me seguir para vir trazer o produto na minha casa... E então dando voltas e voltas, julgo ser seguro para voltar para casa... Ainda não estou totalmente tranqüilo...

Agora só preciso dar um jeito de despistá-lo para o resto da minha vida... Mudar o número de celular, o e-mail... Nome, sobrenome, estas coisas...

Como toda experiência, há aprendizado (e considerações inúteis).
  1. Cuidado com vendedores que te recebem com cara de: "Tem certeza do que está fazendo?"
  2. Cuidado quando durante a demonstração do produto há pequenas risadinhas de ambas as partes.
  3. Ou aquele vendedor é realmente muito simpático, ou ele estava se segurando para se acabar de rir. E vejo que o mesmo vale para mim.
  4. Se isso acontecer com você, não tenha medo de falar que se decepcionou com o produto, e caso haja uma comissão já estabelecida, aceite pagá-la como desculpas e anime-o dizendo que irá vender rapidamente para alguém que se enquadre mais no perfil do usuário de uma impressora matricial.
  5. Ás vezes a modernidade acerta, confie nela (já deveria ter aprendido essa quando tentei comprar uma pedrebike Monark Barra Circular).
  6. Produtos com mais de 10 anos de uso, não passam tranqüilamente por semi-novos...
  7. Tenha sempre uma boa desculpa (às vezes um pequeno "acho que minha mãe está me chamando" funciona) para conseguir sair da casa do vendedor e então passar um e-mail após um certo tempo (para pensar numa desculpa melhor) esclarecendo a problemática...
  8. Antes de fazer algo realmente diferente, saiba exatamente o que está fazendo... Principalmente quando todo mundo dá gargalhadas risadinhas (como as que dei) quando eu contava da minha nova aquisição...
  9. Apesar do som estridente, se bem combinado, poderia ser realmente algo bem estranho musical.
  10. Ser uma pessoa um pouco excêntrica é realmente divertido.

Friday, September 05, 2008

Um concerto desconsertante...

Finalmente voltando aos posts que trazem acessos, rãeoriaoriaori...

Se trata de hoje, tecnicamente ontem, já que estamos de madrugada... E já que vi que o dia de amanhã, tecnicamente hoje (rãeraoieroairo) já era, então resolvi aproveitar estes momentos da madrugada que são ótimos para escrever, e acho que me empolguei um pouco na coca-cola... Creio que dará para entender um pouco da situação atual pelo texto seguinte... Resolvi aproveitar esta falta de sono aliada com esta vontade de escrever e retornar a isto aqui, espero manter uma freqüência nestes escritos.

Tudo começou quando logo após o meu encontro costumeiro (refrigério para alma) com minha namorada, eu acabei falando do concerto em que tocaria de noite, por algum motivo misterioso ela resolve aceitar ir ao concerto...

E eu pensava: Ela não sabe o que a espera...
Mas agora vejo que nem eu mesmo sabia...

Claro... O concerto era de música contemporânea, e nessa intenção pensava: Ahhh, vai ser engraçado, ao menos.

Claro, sou afixionado por música contemporânea, e adorei o concerto, e me emocionei ao tocar (e não acho isso estranho), mas estava tentando me colocar no lugar dela...
E... No lugar dela...
Ou eu daria muita risada, ou não dormiria de tanto medo...

Mas agora vejo que as músicas não eram nada mais que trilhas sonoras antecedentes à cena climax de um filme de suspense...
rãoeiroaieriare

Estava tudo muito bem calculado e planejado. O ensaio geral começava às 18h, a apresentação às 20h. O concerto era bem curto, só iríamos tocar duas músicas, que dariam no máximo 15 minutos quando juntas... E pronto, 20:30 estourando já estaríamos indo embora... Muito bem planejado...
Mas me lembro de uma frase que me marcou: "Planejamento é fé."

E me envergonho de falar... Mas "acho" que "talvez" às vezes sou ingênuo demais de acreditar que as coisas vão ser do jeito que planejo...

Prosseguindo...
Já no teatro, no momento do ensaio, tudo corria perfeitamente dentro da ordem. Antes do ensaio começar, apresento Ju para alguns colegas, e então me posiciono para o ensaio. Pouco antes de começarmos, Antonio vira para mim e fala:
- Vai terminar com ela hoje?
- Não... Por que?
- Uai, você traz ela para ouvir essa música, só pode estar querendo terminar, o clima já vai estar criado... Tenha dó dela.

Só pude rir, realmente, o que ele dizia fazia sentido... Nada como um concerto de música contemporânea para dar início a uma briga caótica... Talvez isto esteja muito presente na música contemporânea... Duetos que mais parecem duelos, confesso que vejo aí o gosto desta música tão rica, mas que realmente causam estranheza, que choca com o ideal purista do belo do "harmonicamente agradável".

Então o ensaio corre, e acaba bem rápido, durou cerca de meia hora, e com o atraso pro início do ensaio, já eram 19h. Mas ainda bem cedo, achei que o ensaio duraria mais, mas tudo correu caóticamente bem... Afinal, se estivesse tranqüilo, não estaria bom.

Então saio para conversar um pouco com ju, e pergunto se ela quer mesmo ficar... E então ela me confirma. Ok... Pensei: Vai ser divertido...

Consigo um programa, olhamos o programa, e as duas músicas que eu tocava estavam nos últimos posições da apresentação, no final do programa.
Confesso que tremi na base, mas pensei: Devem ter errado, Alexandre me disse que tocamos no início.

Mesmo assim, são só 5 músicas no concerto.

Ok, então ela entra, e eu vou aquecer e ficar no camarim para chegar a hora de entrar, que ainda pensava ser no início, e vejo o tempo correndo e nada de chamarem a gente no camarim, quando vi... Já eram 21h. Tecnicamente, a esta hora já estaríamos no ônibus, na metade do caminho para a casa de Ju. Começo a ter medo... E pensava em Ju ouvindo todas aquelas coisas, com aquela carinha de trauma permanente irreversível (redundâncias enfáticas, rãeorairoiaoriaorei)... Até que sai o solista de uma das músicas, e com eles alguns puxa-sacos amigos que só foram assistí-lo. E logo pergunto:
- Está em que música?

E ouço aquilo que nunca esperava ouvir em um momento daquele...
- Esta foi a primeira
- O QUE?????!!!!! Mas passou uma hora já!
- Ahhh, o velho falou o tempo todo...

Ótimo, não se tratava de uma meia tortura... Claro, por que não uma tortura inteira...
Antes de uma boa dose de música contemporânea, que tal uma palestra de uma hora sobre as músicas, com termos altamente técnicos (e existem termos leigos para música contemporânea?), tentando explicar o inexplicável (lembre-se: Música Contemporânea), e a melhor parte... O palestrante não fala português, mas obviamente, insiste em falar na nossa língua... Para se sentir mais próximo do público, acredito eu... Não sei... Mas eu adoraria que houvesse um tradutor simultâneo afetivamente carente que quisesse se sentir mais próximo daquele público oprimido.
Aqui se pinta o vilão da história...

Jack Fortner
Também conhecido como: "o velho".
Maestro renomado de música contemporânea.

Procurei por uma foto na internet, e a melhor que encontrei foi esta. Uma foto três por quatro. Isso já esclarece muita coisa... Pessoas inocentes não têm fotos 3/4 espalhadas por aí...

Então corro para salvar Ju, chamando-a para fora para respirar um pouco de ar contemporâneo, além de uma dose extra de silêncio contemporâneo. E peço para ela ligar para o pai dela para avisar que vai atrasar "um pouco" (e minha ingenuidade não tem limites). Podemos censurar esta parte da ligação (e todas as outras... coisas de pai, só não sabe quem não tem, e "tecnicamente" ninguém pode ser filho de alguém que... ahhh, cansei...), trata-se de um blog de família. Então voltamos e assisto com ela o resto do concerto, e confesso que achei muito agradável, mas não sou confiável pra essas coisas... Basta colocar um punhado de notas que fogem ao tonalismo e eu fico feliz. Mas confesso, algumas obras são de uma genialidade sem limites, pena que não são largamente apreciadas.

E então corre tudo rapidamente. E chega a hora de tocar.
Desço no intervalo da arrumação da orquestra para descobrir que minha partitura sumiu.

Me desespero.
Me acalmo.
(Emoções contemporâneas)

Encontraram a partitura em menos de um minuto.
Tocamos, concluímos a bagaceira, e ouço alguns comentários cínicos vindos de dentro da orquestra durante os aplauso: "Lindo...", "Realmente emocionante..."

Então um colega me comenta: "Sabe, na verdade deram um pincel a um macaco e um caderno pautado, então ele foi colocando as bolinhas, e aí nasceu a música."

Ahhh, achei fraca essa e logo rebati: "Não... O rapaz estava comendo uma feijoada, e espirrou no caderno..."

rãeoriaoeriaorioaire

É... Não foi muito melhor...

E claro que não penso isso... O Concertino de Berio é genial do início ao fim, linhas melódicas maravilhosas, ritmos riquíssimos, harmonias incríveis, exteriorização de sensações extraordinária... E o Cárcede Imaginário de James Correia, é igualmente genial, com um minalismo muito interessante, repetindo celulas enfáticas que não enjoa-se de tocar. Claro, mas tudo não deixa de ser muito estranho para alguém que não ouve isso diariamente...

Então encontro ju, e ela parece até estável emocionalmente. Esperava alguém caída no chão, em posição fetal, chupando o dedo e tremendo... Mas ela parecia bem.

Então resolvemos passar em casa para deixar o violino e então eu levaria ela para casa, no meio do caminho pergunto o horário: 22:25h.

Fiquei sem reação, dei risada da piadinha, até conferir com meu celular e então quase entrar em desespero... Iria fazer ela chegar em casa super tarde, ouvir sermão, e ainda voltaria mais tarde ainda para casa...

Sabia que se entrasse em casa minha mãe não deixaria eu sair para levá-la. Queria que não tivesse ninguém em casa, ou tivessem em outros cômodos, assim só deixava o violino e saíamos...
Mas não deu outra, minha mãe foi a primeira pessoa que me bati ao abrir a porta, resolvi explicar a situação e ela resolveu ligar para o pai de ju, tentar ver se ela poderia dormir em casa, junto com minha irmã. Pedido negado, obviamente...

Então começa o climax da saga...
Trava-se uma negociação intensa...

Ju liga para ele, ele liga para ju, minha mãe liga para ele, tudo para se chegar ao melhor acordo.
"Ela vai de taxi"
"Ela dorme aqui"
"Vamos de ônibus"
"Meu pai vem me buscar, tia"

Até que então surge a melhor idéia de todas...
"Que tal, a gente vai de taxi pra lá, e então pra não ter que pagar a volta, você dorme lá em casa!" (como matar um namorado em questão de minutos)

Tive uma reação típica de um ouvinte música contemporânea... Uma mescla de risada com estranhamento diante de algo que foge a lógica natural das coisas...
ra~eoriaorioaeiroiaeriaer

Nisso minha mãe já começa a ter medo de ligar e de talvez ter de enfrentar um pai bravo (como já se era de se esperar, e se assim não fosse, aí sim eu teria medo), e eu insistindo: "Mãe! Ligue logo! Seja homem!!!" (não funcionou)

"Mãe, deixa de medo, olha a sua idade" (tenho que rever meus argumentos...)

Então após mais negociações e ligações censuradas, chega-se a um acordo, o pai dela vem buscá-la.

Então peço para minha mãe subir com a gente quando ele chegasse para intermediar a situação, e para deixar claro que havia uma força responsável o tempo todo nisso... Nisso já era meia-noite (foram negociações intensas, quando se trata da paz mundial nenhum esforço deve ser poupado).

Então minha mãe se arruma toda (é onde buscamos nossas seguranças). E fica me enxendo a paciência falando que já vai chegar me batendo e brigando comigo para mostrar que tem moral...
ra~eroairoiareoiaeri (minha mãe é única)...

Antes que o pai dela chegasse, lanchamos, e eu tomo minha primeira dose de coca-cola... E uma segunda para ajudar descer a primeira dose (e já venho com uma desculpa de alcoólatra... ainda bem que tenho pavor de álcool.

Então conversamos até que o pai dela chega e avisa-a pelo celular em mais uma ligação censurada. Subimos já com aquele ar de culpados...

Em uma rápida troca de olhares, vejo diretamente nos olhos dele, claramente escritos: "Ahhh, a desculpa do concerto de novo..."

Claro que eu subi ainda com as roupas que toquei no concerto, para que ficasse bem claro: "Eu realmente estava tocando, sou só um violinista" (e é disso que ele mais deve ter medo...)

O pai de ju e minha mãe travam uma pequena conversa corriqueira de pais.

Bem e a saga começa a terminar por aqui... Desço com minha mãe e ela naquele ar de: "E aí, como fui?"

E assim que entramos em casa ela diz em tom jocoso: De nada...
E eu: Que nada mãe, sempre que precisar de uma ajuda de novo, é um prazer te apoiar nestas horas...
E ela: Pestinha...

É a vida, ou se é esperto, ou se ganha a vida tocando um violino.

Moral da história e aprendizados miscelaneses:
  • Concertos matinais são significativamente mais interessantes a partir de hoje... Aprendi a reconhecer a sua tão particular importância.
  • Tenha medo de velhinhos americanos que se especializam em música contemporânea.
  • Quando se está na Bahia: Horários = ???; Cronograma = O que é isso?; Informações sobre a ordem do concerto = Nada mais do que um boato ou somente mais um conto mitológico tradicional transmitido pela oralidade em forte potencial...
  • Não subestime a música contemporânea: Iniciarei um estudo a respeito do caos musical e seu poder de atração ao caos físico e real e ainda o seu alto contágio entre as pessoas, mesmo por telefone e ainda há uma distância de cerca de 20km.
  • Pode-se enriquecer consideravelmente o vocabulário em apenas algumas ligações em momentos inoportunos.
  • Tanto a Honda quando a Chevrolet (Celta) alcançaram a façanha de se produzir um carro completo a cada dois minutos, não custaria nada me cederem dois minutinhos desses... Já resolveria o problema.
  • Música contemporânea às vezes não é tão engraçada quanto parecia que poderia ser...